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O militante de direitos humanos Thiago Ávila, figura de destaque global na defesa do povo palestino, foi detido nesta terça-feira (31) ao desembarcar em Buenos Aires. Ele estava acompanhado de sua esposa e filha em um dos terminais aeroportuários da capital argentina.
Informações divulgadas por apoiadores e por sua esposa, Laura Souza, indicam que o ingresso de Ávila no país foi vetado pelas autoridades. O ativista viajara à Argentina para participar de debates organizados pela Global Sumud Flotilla, organização da qual é um dos coordenadores.
Essa rede internacional articula movimentos civis com o objetivo de romper bloqueios e oferecer suporte humanitário a populações que sofrem violações de direitos, com foco especial na Faixa de Gaza.
A Global Sumud Flotilla Brasil esclareceu que Ávila e sua família, incluindo uma criança de colo, foram abordados pela polícia no Aeroparque Jorge Newbery por volta das 10h30. O grupo chegava de uma agenda realizada no Uruguai.
Sob a justificativa de supostas irregularidades no passaporte, o brasileiro foi isolado de seus familiares e levado a uma delegacia. Segundo a entidade, agentes afirmaram conhecer sua trajetória e declararam que ele não era bem-vindo no país. Parlamentares locais sugerem que a diretriz partiu diretamente da cúpula do governo federal.
O atual mandatário argentino, o ultradireitista Javier Milei, mantém uma postura de alinhamento irrestrito a Israel e aos Estados Unidos, tendo expressado apoio às operações militares em Gaza. Até o momento, não houve pronunciamento oficial da Casa Rosada sobre o episódio.
Conforme a nota da organização, Ávila se opôs à tentativa inicial de deportação imediata para o Uruguai, recusando-se a embarcar na aeronave indicada pelos policiais.
Após um processo de negociação, ele foi transferido para o Aeroporto de Ezeiza, o principal do país. De lá, seguirá para Barcelona nesta quarta-feira (1º), cumprindo um roteiro de viagem que já estava previamente estabelecido.
Vale lembrar que, no ano anterior, Ávila e outros voluntários, entre eles brasileiros, foram interceptados por militares israelenses enquanto tentavam levar suprimentos médicos e alimentos à Faixa de Gaza por mar. Na ocasião, o grupo foi encarcerado em Israel sob denúncias de maus-tratos antes de ser libertado.
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