O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou a proibição do uso de PMMA (polimetilmetacrilato) como substância preenchedora em procedimentos estéticos e reparadores em todo o Brasil, com a medida entrando em vigor a partir desta terça-feira (2). A decisão visa proteger pacientes após casos de complicações graves e mortes, incluindo fatalidades em estados como Goiás e São Paulo.

A única exceção permitida pelo CFM para a aplicação de PMMA é no tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids, desde que o procedimento seja realizado em unidades de alta complexidade que possuam credenciamento junto ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A determinação do conselho surge após mais um óbito relacionado ao uso do produto. No último dia 26, Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, faleceu em São Paulo após passar mal em uma clínica estética. O caso se soma a outros registrados no país, que reacenderam o debate sobre a segurança do PMMA.

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Restrição exclusiva para médicos

É importante ressaltar que a proibição do CFM se aplica estritamente aos médicos. O Conselho já havia solicitado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a interdição total do comércio do produto, um pedido que ainda não foi atendido pela agência reguladora.

Atualmente, a Anvisa apenas recomenda o uso do PMMA para médicos e dentistas em duas situações específicas:

  • No preenchimento do rosto e do corpo.
  • Na correção de deformidades faciais em pacientes no pós-tratamento do vírus HIV.

Casos fatais em Goiás

Em Goiás, foram registrados casos trágicos decorrentes do uso de PMMA. O mais recente ocorreu em 8 de março deste ano, quando Isabel Cristina Oyama Jacinto Gonzaga, de 59 anos, sofreu complicações fatais após um procedimento estético com o produto em uma clínica de Goiânia.

Isabel havia realizado o procedimento em 10 de fevereiro. Após sua morte, a família, residente em Leopoldo de Bulhões, denunciou o uso de polimetilmetacrilato nos glúteos da paciente.

Outro caso lamentável em Goiás envolveu a modelo e influencer Aline Maria Ferreira da Silva, de 33 anos. Ela faleceu em 2 de julho de 2024, após complicações decorrentes de um preenchimento nos glúteos com PMMA, realizado em 23 de junho de 2024, em Goiânia. Aline ficou internada em um hospital de Brasília antes de falecer.

A empresária Grazielly da Silva Barbosa, responsável pelo atendimento da modelo, tornou-se ré em fevereiro de 2025, após o Ministério Público de Goiás (MP-GO) oferecer denúncia aceita pela Justiça por provocar a morte da influenciadora.

FONTE/CRÉDITOS: Radar Valparaíso