O Ministério da Saúde comunicou, nesta terça-feira (24), que o enfrentamento da dengue será o ponto de partida das atividades da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo.

A coalizão, idealizada pela presidência brasileira do G20 em 2024, tem como objetivo primordial disseminar globalmente o acesso equitativo a medicamentos, vacinas, terapias, diagnósticos e inovações em saúde. O foco especial recai sobre nações em desenvolvimento, que frequentemente enfrentam maiores barreiras na produção e inovação.

Os países participantes do grupo, além do Brasil, incluem África do Sul, Alemanha, China, França, Indonésia, Reino Unido, Rússia, Turquia, a União Europeia e a União Africana.

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a escolha da dengue como prioridade devido à sua natureza endêmica em mais de 100 países, afetando potencialmente mais da metade da população mundial. Estima-se que ocorram anualmente entre 100 milhões e 400 milhões de casos da doença.

“Essa disseminação está intrinsecamente ligada às alterações climáticas globais, que resultam no aumento das temperaturas, modificações nos padrões de chuva e elevação da umidade: fatores que favorecem sua propagação. O mesmo ocorre com outras arboviroses, como febre amarela, zika, chikungunya e febre oropouche”, explicou o ministro.

Como exemplo de colaboração internacional, o ministro citou o acordo para a vacina contra a dengue Butantan DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Uma parceria firmada com a empresa chinesa WuXi, anunciada no final do ano passado, visa expandir a capacidade de produção do imunizante, com a meta de fornecer aproximadamente 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.

“Nossa visão é por um mundo com menos conflitos, menos perdas de vidas, especialmente de crianças, civis e profissionais de saúde. Em contrapartida, buscamos um cenário com maior disponibilidade de vacinas e medicamentos acessíveis”, declarou.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) será responsável pela secretaria executiva da coalizão, confiando em sua expertise internacional para atingir os objetivos traçados.

“Temos desenvolvido projetos em conjunto com outras nações, especialmente na África e América Latina, focando na cooperação estrutural, no desenvolvimento de competências locais, científicas, tecnológicas e, em alguns casos, industriais”, afirmou Mario Moreira, presidente da Fiocruz.

Transferência tecnológica

O ministério da Saúde também anunciou o início da produção 100% nacional do Tacrolimo, um medicamento imunossupressor essencial para reduzir a resposta do sistema imunológico e prevenir a rejeição de órgãos transplantados. A transferência tecnológica completa foi realizada em colaboração com a Índia.

“Atualmente, cerca de 120 mil brasileiros utilizam o Tacrolimo pelo SUS, um tratamento que tem um custo mensal entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Um paciente transplantado necessita dessa medicação por toda a vida”, informou o ministro.

Com a produção nacional, o ministro enfatizou a garantia de que os pacientes terão acesso contínuo ao tratamento, independentemente de eventos globais. “Em situações de conflito, guerra, pandemia ou interrupção no fornecimento, a produção local assegurada por nossa fundação pública garante a continuidade terapêutica.”

Vacina de RNA

Padilha também revelou que um novo centro de excelência para a produção de vacinas de RNA mensageiro (mRNA) será estabelecido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O mRNA é uma molécula que veicula as instruções genéticas do DNA. As vacinas que utilizam essa tecnologia empregam o código genético do patógeno (vírus, bactéria, parasita, etc.) para estimular o corpo a produzir anticorpos, sem a necessidade de utilizar o patógeno enfraquecido ou inativado, como nas vacinas convencionais.

Padilha esclareceu que o país já conta com duas plataformas em desenvolvimento, uma na Fiocruz e outra no Instituto Butantan, com um investimento governamental de aproximadamente R$ 150 milhões. Agora, com a adição do novo centro na UFMG, serão destinados mais R$ 65 milhões para o avanço dessa tecnologia.

“O Brasil passará a contar com três instituições públicas dedicadas à produção de vacinas de RNA mensageiro, o que não só possibilitará a absorção e o desenvolvimento de tecnologias para diversas doenças, mas também nos preparará para responder prontamente a novas pandemias ou ao surgimento de novos vírus”, concluiu.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil