Nesta terça-feira (31), o governo federal divulgou a expansão da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), uma iniciativa que oferece apoio técnico e financeiro a projetos voltados para a preparação de alunos de baixa renda para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Conforme declarado pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante o evento "Universidade com a Cara do Povo Brasileiro" no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, a quantidade de cursinhos beneficiados pela rede está prevista para crescer de 384 em 2023 para 1,2 mil este ano.

O ministro também informou que os recursos destinados ao programa registrarão um aumento substancial, passando de R$ 74,4 milhões em 2025 para R$ 290 milhões em 2026.

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Escola Nacional de Hip Hop

Adicionalmente, o governo federal divulgou a criação da Escola Nacional de Hip-Hop (H2E), um projeto do Ministério da Educação que visa incorporar a cultura hip-hop ao contexto educacional. Este programa receberá um investimento de R$ 50 milhões nos anos de 2026 e 2027.

A portaria oficializando a iniciativa foi assinada no mesmo evento pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo ministro da Educação, Camilo Santana, que classificou o programa como uma inovação curricular:

"Através da cultura, iremos impulsionar o engajamento dos jovens, colaborando, inclusive, para a efetivação da Lei 10.639 [que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas instituições de ensino], instituída pelo presidente Lula”, afirmou.

O evento também marcou as celebrações dos 21 anos do Programa Universidade Para Todos (Prouni), os 14 anos da vigência da Lei de Cotas Raciais na rede federal de ensino e uma década desde a formatura da primeira turma de estudantes cotistas.

Institutos federais

O presidente ressaltou a importância de o Brasil intensificar os investimentos em educação como motor para o desenvolvimento nacional. Lula mencionou que, até o final do ano, o governo tem como meta elevar o número de Institutos Federais de Educação de 140 para 800.

“A educação deve ser classificada como investimento, pois representa o mais notável aporte que se pode fazer em uma nação. É por meio dela que se capacita a população para a formação e a aquisição de conhecimento. E, visto que nenhum país na história da humanidade prosperou sem antes investir em educação, enfrentamos um atraso de quase 400 anos”, declarou Lula.

Lula também elogiou políticas educacionais como o Prouni e a Lei de Cotas, enfatizando que a obtenção de um diploma adquire um significado ainda mais profundo para as mulheres, representando, em grande parte, a independência financeira.

“Enquanto para os homens a profissão é relevante, para as mulheres ela é sagrada. Não se trata apenas de dinheiro, mas de autonomia. É a conquista do direito de caminhar com dignidade e confiança”, afirmou.

“Com uma profissão, a mulher não necessita da dependência financeira de um companheiro. Se houver desentendimentos, ela pode dizer: a porta está aberta. Siga seu caminho, pois eu seguirei o meu”, complementou.

Além do presidente Lula e do ministro da Educação, o evento contou com a participação da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad.

Segundo os organizadores, o encontro atraiu aproximadamente 15 mil pessoas, incluindo estudantes cotistas, participantes de cursinhos populares, jovens e representantes de diversos movimentos sociais.

Prouni

De acordo com dados do Ministério da Educação, o Prouni atingiu um número recorde de 594,5 mil bolsas oferecidas em universidades privadas no primeiro semestre de 2026. Mais de 65% desses bolsistas se autodeclararam pretos, pardos ou indígenas. Nos últimos quatro anos, entre 2023 e 2026, o programa concedeu um total de 2,3 milhões de bolsas.

Desde sua implementação em 2005, o Prouni acumulou, ao longo de 21 anos, 27,1 milhões de inscrições em seus processos seletivos, com a oferta de 7,7 milhões de bolsas de estudo. Destas, 3,6 milhões de vagas foram preenchidas, e até 2025, 1,5 milhão de estudantes concluíram seus cursos pelo programa.

Lei de Cotas

A Lei de Cotas, estabelecida em 2012, possibilitou, conforme o ministério, a matrícula de aproximadamente 2 milhões de estudantes cotistas em instituições de ensino superior públicas e privadas ao longo dos últimos 14 anos.

Desse total, 790 mil cotistas ingressaram via Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do Ministério da Educação, 1,1 milhão pelo Prouni e 29,6 mil por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Em 2023, a Nova Lei de Cotas ampliou o rol de beneficiados para incluir estudantes quilombolas. Entre 2024 e 2026, 95 mil cotistas obtiveram acesso ao ensino superior por essa legislação.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno Bocchini - repórter da Agência Brasil