Pai e filho, ambos empresários residentes em Anápolis, foram detidos em uma ação de grande escala coordenada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR). A ofensiva mira uma rede criminosa acusada de movimentar cifras superiores a R$ 2 bilhões por meio da exploração de apostas ilegais e ocultação de bens. A captura ocorreu em Goiânia, enquanto a dupla se preparava para viajar a São Paulo, onde participariam de um evento voltado ao setor de apostas esportivas.

De acordo com as autoridades, os suspeitos goianos compunham o braço tecnológico da quadrilha. Eles seriam os mentores por trás da criação de softwares que permitiram a modernização e a digitalização do jogo do bicho em diversas partes do território nacional.

“Ficou comprovada a utilização de empresas fictícias e de fachada para mascarar a origem dos lucros ilícitos, conferindo uma aparência legal aos montantes acumulados criminosamente e inserindo-os no sistema econômico formal”, detalhou o delegado Marcus Felipe da Rocha Rodrigues.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Os envolvidos responderão por crimes como lavagem de dinheiro, participação em organização criminosa e exploração de jogos de azar.

Goiás atuava como o coração financeiro da rede

As apurações indicam que Goiás era a base estratégica para as movimentações financeiras do grupo, considerado um dos maiores do país no segmento clandestino. A PCPR afirma que a célula goiana se aliou a um grupo do Paraná para estruturar um conglomerado de alcance nacional focado na expansão digital das apostas.

Além das manobras financeiras, os investigados operavam uma firma de tecnologia que gerenciava plataformas de transmissão e controle de apostas. Esse ecossistema digital era fornecido para bancas distribuídas em pelo menos 14 unidades da federação.

“Essa empresa desenvolveu sistemas onde ocorria a transmissão dos sorteios e o monitoramento financeiro das atividades ilícitas. O software era amplamente difundido, atendendo dezenas de operadores em 14 estados brasileiros”, complementou o delegado.

Controle e transmissão de apostas clandestinas

As ferramentas tecnológicas ligadas aos empresários facilitavam não apenas a realização dos jogos, mas também a gestão contábil de diversas modalidades de apostas proibidas. A infraestrutura servia de suporte para operações em grande parte do Brasil.

A operação contou com o empenho de mais de 330 agentes e o uso de três aeronaves para cumprir 371 determinações judiciais. Entre as medidas, estão 85 prisões preventivas, 102 buscas e o bloqueio de 184 contas bancárias, visando o confisco de até R$ 1,5 bilhão em ativos.

Desativação de plataformas de apostas

A Justiça determinou o sequestro de 132 veículos, 111 propriedades imobiliárias e mais de uma centena de cabeças de gado. Além disso, 21 portais de apostas foram retirados do ar. Os bloqueios financeiros buscam atingir a marca de R$ 1,5 bilhão.

Em território goiano, as diligências foram concentradas em Goiânia, Anápolis e Valparaíso de Goiás. A ação também se estendeu por São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Pará. O inquérito, iniciado há três anos no norte paranaense, baseou-se na análise de 2,6 terabytes de informações e mais de 500 mil transações bancárias.

“Estamos falando das duas principais organizações do gênero no Brasil, que se uniram em uma estrutura complexa para cometer crimes variados”, destacou o delegado. “Eles construíram um império financeiro de altíssimo poder aquisitivo”.

Até o momento, a identidade dos empresários presos não foi revelada pelas autoridades, o que impediu o contato com suas defesas técnicas. O espaço segue disponível para eventuais esclarecimentos.

FONTE/CRÉDITOS: Diário Goianiense