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O aprimoramento da educação Stem no Brasil exige investimentos constantes na capacitação dos professores, e não apenas melhorias de infraestrutura. É o que indica o estudo Panorama da Educação Stem no Brasil, lançado pela Fundação Carlos Chagas em parceria com o British Council. A pesquisa analisou o ensino de ciências, tecnologia, engenharia e matemática em seis capitais do país.

Formação contínua na jornada de trabalho

A coordenadora do estudo, Sandra Unbehaum, defende que o treinamento precisa integrar a rotina profissional dos educadores. Segundo ela, a sobrecarga de trabalho e o acúmulo de turmas em diferentes escolas impedem que os docentes se capacitem adequadamente fora de seus horários de serviço.

Além disso, a pesquisadora ressalta que os treinamentos não devem ocorrer exclusivamente a distância. Para Unbehaum, a troca de experiências presenciais é indispensável para promover um aprendizado aprofundado entre os profissionais da educação.

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Equidade no acesso às tecnologias

O levantamento destaca a importância de garantir infraestrutura tecnológica equivalente entre as diversas regiões brasileiras. Segundo a especialista, a falta de acesso democratizado a equipamentos modernos compromete o desenvolvimento educacional e amplia as desigualdades no país.

A abordagem integrada das disciplinas visa preparar os estudantes para desafios contemporâneos. Entre as prioridades estão o desenvolvimento do pensamento crítico para o uso da inteligência artificial e a busca por soluções sustentáveis para as mudanças climáticas.

Desafios identificados nas capitais

Com 170 páginas, o relatório identifica entraves em Manaus, Belém, João Pessoa, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. Entre os gargalos citados estão a resistência de docentes ao uso de novas ferramentas e a falta de conhecimentos técnicos específicos.

Em Manaus, registraram-se casos de professores ministrando disciplinas fora de suas especialidades. Já em Curitiba, a elevada rotatividade docente nos anos finais do ensino fundamental prejudica a continuidade do trabalho pedagógico coletivo.

Boas práticas regionais

Apesar dos obstáculos, os pesquisadores mapearam iniciativas inovadoras de destaque no cenário nacional:

  • Manaus: Atividades desplugadas para ensinar programação e conexão via satélite para escolas ribeirinhas.
  • Belém: Óculos de realidade virtual feitos com fibra de miriti para auxiliar no ensino de geometria.
  • João Pessoa: Imersões tecnológicas intensivas para a capacitação continuada do corpo docente.
  • São Paulo: Formadores multiplicadores nas diretorias de ensino e parcerias com a Universidade de Columbia.
  • Curitiba: Faróis do Saber adaptados como espaços maker equipados com impressoras 3D.

Modelo inovador no Rio de Janeiro

Na capital fluminense, o destaque são os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GET), criados em 2022. Com 317 unidades em funcionamento, a rede municipal atende 150 mil alunos por meio de uma metodologia prática e interdisciplinar.

A professora Vanini Bernardes Costa de Lima relata que o modelo estimula o protagonismo estudantil e amplia a participação feminina nas áreas tecnológicas. A estudante Manuela Calixto de Lira Bernardo Abreu, de 15 anos, reforça que o aprendizado prático desperta maior interesse e prepara os alunos para lidar de forma consciente com a inteligência artificial.

Segundo o secretário municipal de Educação, Hugo Nepomuceno, os GETs aproximam a tecnologia do cotidiano das famílias e fortalecem o vínculo das unidades escolares com suas comunidades.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil