A Polícia Civil de São Paulo investiga se armas de CACs foram adquiridas por laranjas para abastecer os criminosos envolvidos no atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, da Rota, ocorrido em 27 de junho, em São Caetano do Sul. A linha de apuração baseia-se em uma denúncia anônima enviada às autoridades logo após o ataque ao oficial da Polícia Militar.

Conforme o relato feito pelo Disque Denúncia, o armamento teria sido comprado formalmente por caçadores, atiradores desportivos e colecionadores registrados, mas repassado a terceiros sem a devida transferência de posse nos órgãos oficiais. Essa manobra visa dificultar o rastreamento da verdadeira origem dos equipamentos usados pelo crime organizado.

Apesar do teor das alegações, a hipótese ainda não consta como uma conclusão oficial no processo. A validação depende do avanço de diligências do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), do rastreamento numérico dos armamentos eventualmente apreendidos e da realização de exames de confronto balístico.

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Ordem emitida de dentro do sistema prisional

A mesma denúncia aponta que a ordem para a tentativa de homicídio partiu do Centro de Detenção Provisória IV de Pinheiros, na capital paulista. O suposto mandante é um detento ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), preso desde setembro de 2025 e investigado por crimes graves como homicídio e latrocínio.

As informações indicam que o detento teria repassado as diretrizes do atentado ao próprio filho, responsável por coordenar a logística com comparsas que atuavam em liberdade no ABC e na zona sul paulistana.

Ação coordenada e divisão de tarefas no ataque

O tenente Pimentel foi atingido na cabeça por disparos efetuados pelo garupa de uma motocicleta. As investigações preliminares apontam que o atentado envolveu uma complexa estrutura de apoio, com o uso articulado de múltiplos veículos para garantir a fuga dos executores.

Além da moto utilizada no crime, um Renault Logan acompanhou o trajeto até o abandono do veículo perto de Heliópolis. Paralelamente, um Fiat Palio e um GM Astra prestaram escolta e cobertura tática na região.

Os suspeitos Marcos Vinicius Dias Machado, Carlos Roberto Ferreira e Luiz Henrique de Oliveira Nascimento foram presos temporariamente sob a acusação de integrarem essa rede de suporte e ocultação de provas. As defesas dos investigados alegam que o processo tramita sob segredo de Justiça.

Ameaça de resgate armado e transferências

Diante de denúncias de que a facção criminosa planejava um resgate armado dos custodiados com o uso de fuzis e carros blindados, a Justiça determinou a transferência imediata do trio para unidades de segurança máxima. O juiz responsável apontou risco iminente de invasão à delegacia de São Caetano do Sul.

Outro ponto crítico da investigação envolve mortes de suspeitos decorrentes de intervenções de agentes da Rota durante as buscas. O principal acusado de disparar contra o tenente, Hércules da Costa Siqueira, conhecido como Golias, continua foragido, e a Secretaria da Segurança Pública oferece recompensa por informações sobre seu paradeiro.

FONTE/CRÉDITOS: Alfredo Henrique