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Com um crescimento mais expressivo do que Brasília, a região que engloba o Entorno do DF vem se destacando nacionalmente e atraindo mais investimentos. O levantamento de Estimativas da População divulgado recentemente pelo IBGE indica expansão de 0,44% em Brasília, que ultrapassou 3 milhões de habitantes. A Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno, por sua vez, cresceu 0,75%, tendo mais de 4,8 milhões de habitantes em 2026.
Ao todo, 29 municípios de Goiás, quatro de Minas Gerais e o Distrito Federal compõem a RIDE-DF, que é a quarta maior concentração populacional do Brasil, atrás somente das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A expansão da região interessa a vários setores, com destaque para o imobiliário, que identifica seu potencial para seguir crescendo e direciona mais investimentos, contribuindo também para estimular a cadeia econômica local.
O incorporador imobiliário Rômulo Mendonça, que também é fundador de feiras como a Expotchê, lista fatores que explicam essa expansão. Entre eles, estão esgotamento de áreas nobres e preços elevados do metro quadrado no Distrito Federal, melhorias na rodovia BR-060 e infraestrutura regional e busca por mais espaço, natureza e segurança no cenário pós-pandemia. “Os dados revelam que o Entorno do DF deixou de ter apenas cidades-dormitório e tornou-se vetor de desenvolvimento próprio. Para o mercado, isso é demanda qualificada”, analisa.
O especialista ressalta que um dos pontos que ajudou a alavancar o aumento populacional na região é o trabalho remoto ou híbrido. “Com essa possibilidade que ganhou impulso na pandemia, as pessoas conseguem ter uma qualidade de vida bem superior ao morarem fora, mas ainda próximas a Brasília, e irem até lá somente quando necessário”, destaca Mendonça.
Segunda moradia
Além da população que decidiu se mudar de vez para os municípios do Entorno do DF, o setor imobiliário também se beneficia do público que segue morando na capital federal, mas deseja a chamada segunda moradia nos arredores. “Esse tipo de empreendimento não concorre com os do Distrito Federal, e sim funciona como complemento, ao proporcionar o que uma cidade grande não consegue mais”, afirma Rômulo Mendonça.
Para o especialista em Gerenciamento de Projetos e em Gestão de Negócios pela FGV, Thiago Boaventura, um dos principais motivos para o crescimento da procura por segunda moradia é ter uma válvula de escape. “Em cidades grandes como Brasília, as pessoas têm uma vida corrida e muitas cobranças. Além disso, sofrem com o clima quente e seco da maior parte do ano e a maioria mora em prédios, sem tanto espaço”, detalha.
Nesse contexto, ganha força a demanda por terrenos extensos, em locais com amplo acesso à natureza, como é o caso do Laguna Magnólia, em Alexânia, uma das cidades da RIDE-DF. O projeto possui mais de 485 mil metros quadrados de áreas verdes (59% da área total), compostos, majoritariamente, por mata nativa preservada, o que contribui para atrair investidores. A valorização imobiliária de empreendimentos que priorizam áreas verdes já foi comprovada, inclusive, pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os estudos identificaram valorização geral de até 20%.
A porcentagem tende a ser ainda mais alta quando se trata de segunda moradia, de acordo com Boaventura, que tem mais de 18 anos de experiência no setor imobiliário. “O mercado entende que a segunda moradia deve, necessariamente, oferecer contato com a natureza, tanto que, quando não existe no local, é feito o plantio de árvores, mas demora muito para se consolidar. Por isso, o cenário ideal é o de vegetação nativa”, avalia.
Movimento da classe média
Os projetos registram valorização ainda maior quando as condições propiciadas pelo Entorno do DF se unem a facilidades como as encontradas especificamente em Alexânia, o que a tornam um dos mercados mais promissores, segundo os dois especialistas. A 80km de distância de Brasília e 120km de Goiânia, a cidade está numa localização estratégica também pelo acesso a belezas naturais, como o Lago Corumbá IV e o Rio Areias, e a centros comerciais e turísticos, a exemplo do Outlet Premium Brasília e do complexo Tauá Resort Alexânia.
Agregar valor ao conteúdo nos empreendimentos do Entorno do DF passa ainda por sustentabilidade, infraestrutura, tecnologia, segurança e recursos para lazer e bem-estar de forma cada vez mais completa, como também ocorre no exemplo citado do Laguna Magnólia. O especialista Thiago Boaventura avalia ainda que a demanda por esse tipo de empreendimento na RIDE-DF encontra respaldo em outro dado: a intenção de compra de imóveis alcançou o maior nível da série histórica dos Indicadores Imobiliários Nacionais, com 52% das famílias.
Isso porque a edição mais recente do estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) identificou que esse índice foi impulsionado pela demanda da classe média, justamente um dos principais públicos da expansão do Entorno do DF. “A elevação da intenção de compra pela classe média se dá pela pressão que ela vive para não regredir seu padrão e continuar ascendendo. Isso se traduz em movimentos dessa classe a fim de melhorar a qualidade de vida por meio de produtos e serviços”, finaliza Boaventura.
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