Cientistas revelaram recentemente que as baleias-francas-austrais fêmeas adotam uma postura singular, flutuando de barriga para cima, como uma estratégia vital para o descanso e recuperação das intensas demandas da maternidade. Um estudo publicado na revista Mammalian Biology, que analisou exemplares na costa sul da Austrália, aponta para essa posição como um mecanismo para repor as energias esgotadas pelo cuidado com os filhotes.

Como o estudo foi conduzido

A investigação foi realizada com o auxílio de drones, que monitoraram 59 pares de baleias e seus filhotes ao longo da costa sul da Austrália. Os resultados demonstraram que aproximadamente 25% das fêmeas genitoras foram observadas em posição invertida para repouso, um comportamento que não foi registrado em indivíduos jovens ou machos da espécie.

Adicionalmente, constatou-se que essa peculiaridade comportamental era exclusiva de mães com recém-nascidos ou que estavam em fase avançada de gestação, indicando uma forte ligação com o processo reprodutivo.

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É importante notar que essas gigantes dóceis são conhecidas por visitar o litoral brasileiro durante o inverno, período em que também se dedicam à reprodução.

Kate Sprogis, uma das autoras principais do estudo, explicou que a escolha da região de Head of Bight para a análise foi estratégica. A localidade, por ser remota e protegida de interferências humanas durante a temporada de parição, ofereceu uma oportunidade ímpar para observar os padrões de conservação de energia das baleias em um habitat natural e inalterado.

Hipóteses sobre o comportamento

Os pesquisadores destacam que a espécie em questão realiza uma migração extensa, percorrendo mais de 6 mil quilômetros entre a Antártida e a Austrália. Durante esse percurso, as fêmeas frequentemente amamentam seus filhotes sem terem se alimentado adequadamente, o que intensifica o desgaste energético.

Diante desse cenário, uma das principais teorias sugere que, ao adotar a posição invertida, a mãe impede que os filhotes acessem as glândulas mamárias. Conforme explicado pela autora, essa ação permite que a baleia "administre melhor suas reservas de energia", otimizando o uso de seus recursos vitais.

É um esforço considerável, visto que os filhotes de baleia podem ganhar até 45 kg em apenas um dia, demandando grande quantidade de leite materno.

Uma segunda hipótese levantada pelos estudiosos é que a posição de barriga para cima contribui para a regulação da temperatura corporal. Essa postura pode ser um mecanismo para evitar o superaquecimento, especialmente porque as baleias-francas-austrais não possuem a nadadeira dorsal, estrutura presente em outros mamíferos marinhos, como os golfinhos, e que é utilizada para o controle térmico.

FONTE/CRÉDITOS: Julia de Mesquita