O governo federal recebeu nesta terça-feira (21) representantes de diversos setores da indústria brasileira para debater os impactos do tarifaço dos EUA, uma nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Os encontros visam buscar soluções e estratégias para mitigar os efeitos dessa medida sobre a economia e as exportações do Brasil.

As reuniões contaram com a presença de importantes figuras do governo, como o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro Márcio Elias Rosa. Entidades dos segmentos de máquinas e equipamentos, calçados e pneus estiveram entre os participantes, expressando suas preocupações e demandas.

Entenda o novo tarifaço e seus impactos

Na última quarta-feira (15), a administração de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre uma vasta gama de produtos industriais brasileiros. Essa medida, segundo cálculos do governo federal, afeta aproximadamente 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, totalizando cerca de US$ 7,4 bilhões (equivalente a R$ 38 bilhões).

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O levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) detalha os setores mais atingidos por essa sobretaxa. O segmento de madeira, por exemplo, terá 81% de suas exportações para os EUA impactadas. Outros setores significativamente afetados incluem minerais não metálicos (56%), produtos químicos (51%) e alimentos (38%).

Indústria busca apoio e proteção comercial

Durante as conversas com o vice-presidente Geraldo Alckmin, representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) apresentaram propostas para o programa Brasil Soberano. O programa, criado para oferecer linhas de crédito emergenciais, necessitaria de ajustes como a redução das taxas de juros, a ampliação dos segmentos contemplados e a isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito.

Além das alterações no programa, parte da indústria defende a implementação de barreiras comerciais para conter o avanço de produtos asiáticos no mercado brasileiro. A Folha de S.Paulo revelou que entidades setoriais sugeriram ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) a criação de cotas de importação. O objetivo é compensar os efeitos negativos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Haroldo Ferreira, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), destacou a relevância dessa preocupação. Em entrevista ao C-Level Entrevista, da Folha de S.Paulo, ele afirmou: “Começamos a reunião falando sobre importação e não sobre o problema da reunião, que era o tarifaço”.

Segundo o dirigente, a posição do Brasil nas negociações com os Estados Unidos é mais delicada, visto que as novas tarifas possuem uma base jurídica mais robusta. Isso difere das sobretaxas anteriores que foram derrubadas pela Suprema Corte norte-americana em fevereiro. Ferreira acredita que o governo pode aceitar o pedido de imposição de cotas, apoiado por setores como pneus, móveis, madeira, rochas ornamentais e fumo.

Próximos passos e postura brasileira

Enquanto as discussões com a indústria prosseguem, o governo brasileiro aguarda uma nova decisão da administração norte-americana, esperada para esta semana. Os Estados Unidos estão avaliando aplicar uma nova tarifa de 12,5%, fundamentada em uma investigação sobre trabalho forçado. Se confirmada, essa medida substituirá a sobretaxa de 10% prevista na Seção 122, que expira no final de julho.

Na semana anterior, o ministro Márcio Elias Rosa reiterou o compromisso do Brasil em defender seus interesses nas negociações comerciais com os Estados Unidos. “O Brasil é vítima nesse processo, mas não é covarde. Nós não vamos ficar amedrontados frente a uma potência, que realmente é importante, significativa, e está nos causando dano. Não vamos ceder”, declarou o ministro à Folha de S.Paulo, reforçando a postura firme do país.

FONTE/CRÉDITOS: Aline Drumond - Estágio DM