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Na última segunda-feira, 7 de setembro, movimentos sociais de todo o Brasil se uniram em mais de 50 cidades para realizar a 32ª edição do Grito dos Excluídos. O ato nacional pautou a defesa da terra, da paz e do direito à moradia digna, além de denunciar as desigualdades sociais e a violência que afetam as populações mais vulneráveis do país.

Sob o lema oficial “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, os manifestantes marcharam por diversas capitais. Entre as principais reivindicações estavam a reforma agrária, a valorização da educação pública, a proteção do Sistema Único de Saúde (SUS), o combate ao racismo, à LGBTfobia e ao feminicídio, além do fim da escala de trabalho 6x1.

Mobilização em São Paulo

Na capital paulista, a caminhada percorreu as vias do centro histórico e foi encerrada com uma missa na Catedral da Sé, voltada à população em situação de rua. O evento teve início com um café da manhã comunitário. Ativistas como Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares (CMP), destacaram que a verdadeira liberdade social só existirá quando não houver mais pessoas sem teto no país.

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A defesa da democracia também foi uma bandeira central no ato paulistano. Frei David Santos, coordenador do cursinho Educafro, ressaltou a importância de proteger o processo eleitoral contra interferências econômicas. Paralelamente, familiares de vítimas da violência policial, como Deuza Cordeiro de Lima, usaram o espaço para clamar por justiça pelo assassinato de parentes inocentes na periferia e no centro da cidade.

Atos e arte no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o protesto ocupou a Avenida Presidente Vargas logo após o tradicional desfile oficial da Independência. Um dos destaques da mobilização fluminense foi a participação da Escola de Teatro Popular, coordenada pelo dramaturgo Julian Boal, filho de Augusto Boal. O grupo realizou intervenções artísticas na rua para debater a soberania nacional e a importância da participação política ativa.

A luta por moradia também ecoou forte na capital fluminense. Ricardo Pitta, coordenador do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna, criticou a especulação imobiliária e o risco de leilão de prédios públicos que deveriam cumprir função social. A marcha carioca também abordou temas como a oposição a tarifas alfandegárias externas, a memória das vítimas da Ditadura Militar e a preservação ambiental.

Debate ecológico em Brasília

Em Brasília, a pauta ambiental ganhou protagonismo com a atuação do Núcleo de Ecologia Integral de Brasília. Integrantes do grupo alertaram para a gravidade da crise climática global. A economista aposentada Maria do Carmo de Jesus Botafogo e a engenheira florestal Ana Clara Botafogo apresentaram uma carta de compromisso ecológico que será entregue a candidatos de diversos partidos nas eleições municipais.

A professora universitária Altaci Kokama ressaltou que o evento consolida, há mais de três décadas, um espaço essencial de voz para os marginalizados. Ela ponderou, contudo, sobre as dificuldades financeiras e logísticas enfrentadas pelas comunidades mais pobres para garantir transporte e alimentação aos participantes, reforçando a importância do trabalho de base contínuo nas periferias brasileiras.

FONTE/CRÉDITOS: Alex Rodrigues, Bruno de Freitas Moura e Guilherme Jeronymo - repórteres da Agência Brasil