O Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI) ficou em primeiro lugar no resultado preliminar do chamamento público do Ministério da Saúde para gerir o primeiro Hospital Inteligente do SUS. A entidade, fundada em março deste ano, disputará a gestão de um contrato estimado em R$ 1,9 bilhão para os quatro primeiros anos de operação.

O projeto contempla a execução de serviços de apoio à implementação da rede de UTIs Inteligentes e a criação do Instituto Tecnológico de Emergência (ITE). A futura unidade assistencial de alta complexidade será implantada no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Idealizado e liderado pela médica cardiologista Ludhmila Hajjar, o empreendimento obteve viabilidade financeira após o Governo Federal captação de R$ 1,7 bilhão via empréstimo com o Banco dos Brics, presidido desde 2023 por Dilma Rousseff.

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A solenidade de assinatura do acordo ocorreu em janeiro e reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além de Dilma e Hajjar. A médica já havia recusado assumir o Ministério da Saúde em 2021, durante a gestão federal anterior.

Entidade recém-criada e disputa concorrencial

Registros da Receita Federal indicam que o ITMI foi formalizado em 4 de março deste ano. A publicação do edital pelo Ministério da Saúde ocorreu cerca de três meses depois, em junho, com o resultado preliminar sendo divulgado no Diário Oficial da União em julho.

Além de Ludhmila Hajjar, a diretoria do ITMI reúne nomes de destaque da comunidade médica e acadêmica, como o ex-reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, o advogado Antônio Pedro Lovato, o empresário Guilherme Pellegrini Mammana e os médicos Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho, Fábio Biscegli Jatene e Giovanni Guido Cerri.

A segunda posição no chamamento ficou com a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). Fundada em 1971, a SPDM possui vasta experiência na gestão de equipamentos públicos de saúde nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará.

A homologação do resultado final deve ocorrer após a fase de recursos administrativos. O Ministério da Saúde informou que todo o processo de seleção atende rigorosamente aos ditames da legislação vigente.

Impasse sobre a localização da nova unidade

A possível área destinada à construção da estrutura levantou debates no meio acadêmico. Relatos de que o novo complexo ocuparia o terreno onde funciona o Instituto Adolfo Lutz (IAL), órgão vinculado à Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, mobilizaram pesquisadores.

A diretoria do IAL calcula que a transferência completa das instalações custaria cerca de R$ 446 milhões aos cofres paulistas. Estimam-se R$ 322 milhões para erguer uma nova edificação e R$ 124,25 milhões para o transporte e calibração de equipamentos científicos.

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) manifestou preocupação com a continuidade dos serviços. O Instituto Adolfo Lutz realiza mais de 600 tipos de exames voltados à vigilância epidemiológica e sanitária.

Em nota oficial, a Secretaria de Saúde de São Paulo informou que a definição sobre o local ainda está sob análise técnica e orçamentária, garantindo o diálogo com as partes envolvidas e a preservação do patrimônio público.

Estrutura e tecnologia assistencial

O empreendimento foi projetado para atuar como um centro integrado de tecnologia em saúde, oferecendo leitos de urgência e inovação operacional.

  • Tecnologias aplicadas: Integração de inteligência artificial, internet das coisas, big data e automação hospitalar.
  • Conectividade: Ambulâncias equipadas com rede 5G e prontuários eletrônicos unificados.
  • Capacidade: Oferta de 800 leitos para emergências pediátricas e adultas em cardiologia e neurologia.
  • Financiamento: Aporte aprovado pelo Senado Federal junto ao Banco dos Brics de US$ 320 milhões.
FONTE/CRÉDITOS: Vinicius Passarelli