O ex-presidente Bashar al-Assad foi condenado à pena de morte por um tribunal de transição na Síria, nesta terça-feira (11/8), acusado de cometer crimes contra a humanidade. A sentença ocorreu após o colapso de seu regime e o subsequente exílio da família imperial em Moscou, tornando-o o primeiro ex-líder sírio a responder formalmente por atrocidades de guerra.

A decisão judicial também atingiu familiares próximos e aliados diretos do ex-governante. Além do antigo ditador, seu irmão Maher al-Assad e seu primo Atif Najib, ex-funcionário de alto escalão do governo deposto, receberam a mesma pena máxima da justiça síria.

O rastro de destruição do regime sírio

Durante quase duas décadas e meia no poder, o ex-líder transformou o país em um cenário devastado por uma violenta guerra civil iniciada em 2011. A repressão estatal abriu caminho para o crescimento do grupo extremista ISIS, desencadeou um conflito por procuração entre potências globais e gerou uma das maiores crises humanitárias de refugiados da história recente.

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A ascensão e queda da dinastia Assad

Aos 60 anos, o ex-ditador herdou o comando do país em 2000, logo após a morte de seu pai, Hafez al-Assad, que governava a nação com mão de ferro desde 1971. A princípio, o jovem médico não era o sucessor natural, mas assumiu o protagonismo político após a morte trágica de seu irmão mais velho, Bassel, em um acidente automobilístico em 1994.

No início de seu mandato, o regime tentou projetar uma imagem moderada e reformista para o Ocidente. Entretanto, a falsa ilusão de abertura democrática ruiu rapidamente quando o governo manteve alianças estratégicas com grupos extremistas como o Hamas e o Hezbollah, consolidando um regime autoritário e isolado internacionalmente.

O estopim para a queda definitiva ocorreu durante os protestos da Primavera Árabe, quando manifestações por liberdade e democracia foram violentamente sufocadas pelo exército. A brutalidade contra civis, incluindo o uso de armas químicas e torturas sistemáticas, sustentou o regime até o final de 2024, quando uma ofensiva rebelde vitoriosa forçou sua fuga definitiva para a Rússia.

FONTE/CRÉDITOS: Giovana Alves