O álbum de rap caipira “Café com Pinga”, da artista Luli, reúne oito faixas em cerca de 34 minutos. O trabalho aposta na mistura de sonoridades do ambiente rural — como orações, coros femininos e o timbre marcante da viola caipira — com elementos urbanos, como beats graves e o scratch, técnica característica do rap.

Lançado em junho, o disco é o segundo da carreira da cantora de 28 anos. O projeto também percorre sua trajetória pessoal, desde a infância na comunidade de Poço Azul, em Barbosa Ferraz, no Norte Pioneiro do Paraná, até a vida atual dividida entre Londrina e São Paulo.

A proposta de Luli é unir diferentes versões de si mesma por meio da música. “Eu sempre quis aproximar todas as versões de mim em uma coisa só. O fio que liga tudo isso é contar histórias”, resume a artista. Um exemplo é a faixa “Vó”, que retrata a migração da família de Minas Gerais para o Paraná, combinando viola caipira com hip-hop.

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A música de trabalho do álbum é “Treme Treme”. A canção narra um romance impossível entre uma menina rica e um peão pobre, tema recorrente no interior do Brasil. A faixa mistura referências da trova de viola, do cururu, do repente nordestino e das batalhas de rima do rap.

Segundo a artista, o objetivo é aproximar gerações e linguagens distintas. “O que esses gêneros têm em comum é a forma de contar histórias, com começo, meio e fim, e temas profundos”, explica.

Disponível nas principais plataformas de streaming, “Café com Pinga” foi viabilizado por meio da Lei Aldir Blanc, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e recursos do Ministério da Cultura.

Este é o segundo álbum de Luli. O primeiro single, “Disparo”, foi lançado em 2021. Já em 2024, a artista apresentou “Pede Agô”, com 10 faixas que abordam temas como racismo, gênero, desigualdade e religião.

Trajetória de Luli

Multiartista, Luli nasceu em uma família de lavradores em Barbosa Ferraz (PR). Seus pais vivem no sítio da família e atuam na produção de laticínios. Desde cedo, a artista teve contato com a viola caipira e o sertanejo, gêneros presentes no cotidiano rural.

Sua formação musical também inclui influências do forró, xote, vanerão gaúcho e marchinhas. Na adolescência, Luli conheceu o rap por meio de indicações de familiares e pesquisas na internet.

A passagem pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde estudou Artes Cênicas, ampliou seu repertório artístico. Foi nesse ambiente que ela se aproximou do movimento estudantil e da valorização da cultura preta, presente no cenário urbano do rap.

Serviço

Álbum: “Café com Pinga”
Instagram: @lulinavoz
Ouça: https://open.spotify.com/album/0jzmbMFNcDiLKRi5ie26vF