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A falta de debates sobre o ensino médio nas campanhas para os governos estaduais expõe a omissão de candidatos em relação ao futuro profissional da juventude brasileira. Em ano eleitoral, postulantes prometem avanços em diversas áreas, mas silenciam sobre a urgência de preparar estudantes das redes públicas para o mercado de trabalho.
Historicamente, a formação técnica já foi prioridade. Em 1971, a Lei nº 5.692 determinou a profissionalização no segundo grau. No entanto, em 1982, a Lei nº 7.044 revogou essa obrigação. Desde então, o modelo educacional se afastou das demandas produtivas, desestimulando estudantes e contribuindo para o aumento da geração de jovens que não estudam e não trabalham.
Desigualdade e o modelo internacional
Essa deficiência afeta diretamente a população de menor renda, que necessita trabalhar cedo e conclui a educação básica sem qualificações específicas. Enquanto famílias abastadas podem custear cursinhos e ensino superior, a maioria dos jovens pobres abandona os estudos por falta de perspectiva e preparo técnico.
O cenário nacional destoa de países membros da OCDE. Na Alemanha, por exemplo, vigora o sistema dual, integrando escolas e empresas para garantir capacitação prática. No Brasil, o abismo entre a demanda das indústrias por mão de obra qualificada e a falta de treinamento escolar continua sem solução por parte da gestão pública.
Cobrança por propostas concretas
Como a gestão da etapa final da educação básica é de responsabilidade dos estados, empresários e estudantes cobram posicionamentos claros. Apenas prometer que a educação será prioridade não atende mais às necessidades reais da economia nem às expectativas dos eleitores.
Diante do encerramento do período escolar sem respostas claras sobre o futuro, cabe aos eleitores questionar os postulantes ao poder executivo sobre como pretendem transformar a escola em uma ponte para o emprego formal e qualificado.
Artigo assinado pelo empresário Moacir de Melo.
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