Para preservar palanques regionais e evitar atritos em estados dominados pelo PT, os partidos MDB, PP e União Brasil decidiram adotar uma postura de neutralidade nas eleições 2026. Após consultas aos diretórios estaduais, as legendas do Centrão confirmaram que não formalizarão apoio a nenhum candidato à Presidência da República no pleito nacional.

A decisão do MDB marca um momento histórico: é a primeira vez em duas décadas que o partido não lançará candidato próprio nem integrará coligações presidenciais. A última neutralidade da legenda ocorreu em 2006, durante a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Posteriormente, o partido esteve na chapa vitoriosa do PT em 2010 e 2014 com Michel Temer, além de ter lançado nomes próprios em 2018 e 2022.

Já para o PP e o União Brasil, a aliança com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gerou fortes impasses. Como lideranças expressivas dessas siglas atuam em redutos com forte eleitorado petista, o alinhamento ao PL poderia inviabilizar palanques locais estratégicos para governos estaduais e vagas no Senado Federal.

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A situação fica evidente em estados como o Piauí, onde o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, busca a reeleição. Dados da pesquisa Atlas/Meio Norte mostram ampla vantagem de Lula no estado, registrando 70,8% das intenções de voto contra 22,2% de Flávio Bolsonaro. No pleito de 2022, o eleitorado piauiense garantiu ao PT seu melhor desempenho no país, com 74% no primeiro turno e 76,84% no segundo.

A oficialização da neutralidade do PP inviabilizou a indicação da senadora Tereza Cristina para a vaga de vice-presidente na chapa bolsonarista. Em nota oficial emitida na sexta-feira (31/7), a cúpula do PP informou que a maioria dos diretórios regionais optou pelo distanciamento na corrida presidencial.

Impasse nos estados e convenção do União Brasil

Cenário similar enfrenta o deputado Arthur Lira (PP-AL) em Alagoas, onde Lula venceu em 2022 e mantém 39% de aprovação ótimo/bom, enquanto 27% consideram regular e 31% avaliam como ruim ou péssimo. O apoio oficial à direita representaria riscos diretos às pretensões eleitorais do parlamentar no estado.

Paralelamente, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, convocou convenção nacional para a próxima terça-feira (4/8) para chancelar a neutralidade. Embora a sigla adote posturas conservadoras no Congresso, lideranças como ACM Neto enfrentam forte concorrência na Bahia, onde Lula lidera as pesquisas com 52% contra 18% de Flávio Bolsonaro, segundo a Quaest.

FONTE/CRÉDITOS: Luana Patriolino