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O coronel reformado Francisco Eronildo Feitosa Rodrigues, ex-chefe do Departamento de Logística e Finanças (DLF) apontado como operador de um esquema de propina na PMDF, foi preso na última segunda-feira (3/8) no Entorno do Distrito Federal. Foragido desde que recebeu uma pena de 54 anos de reclusão, ele é acusado de reter pagamentos de empresas terceirizadas para extorquir empresários e exigir vantagens indevidas na liberação de verbas estatais.
As investigações do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) apontam que os ilícitos ocorreram entre 2016 e novembro de 2017. Na época, o militar exercia controle absoluto sobre os contratos e exigia propinas que oscilavam entre 10% e 15% para quitar as parcelas devidas aos prestadores de serviço.
O repasse de dinheiro não era solicitado diretamente pelo coronel. A abordagem aos empresários ficava a cargo de intermediários civis, incluindo Rogério Gomes Amador, cunhado do oficial, e Clayton Gonçalves Sperandio. Em caso de recusa no pagamento das propinas, o militar ordenava o bloqueio imediato das faturas atestadas.
Conforme apurado nos autos, a liberação dos depósitos acontecia em poucos dias assim que as vítimas cediam à extorsão sistêmica.
Estrangulamento financeiro de fornecedores
Um dos casos mais emblemáticos envolveu uma firma responsável pela manutenção de 346 viaturas da corporação. Por se recusar a pagar a taxa ilícita, a empresa teve mais de R$ 1 milhão em repasses bloqueados deliberadamente a partir de fevereiro de 2016, o que causou severas dificuldades operacionais e financeiras.
Durante o período de retenção dos recursos, cerca de 40 viaturas ficaram paradas no galpão da empresa sem autorização do DLF para conserto. Embora as notas fiscais estivessem auditadas e sem pendências técnicas, o coronel, como único ordenador de despesas, recusava-se a assiná-las sob a justificativa de auditorias inexistentes.
Diante da pressão, interlocutores do militar chegaram a afirmar que a liberação de verbas "só funciona se pagar". Para honrar compromissos trabalhistas e manter a operação, a família do empresário prejudicado precisou vender bens particulares e demitir funcionários. No total, a vítima comprovou a quitação de R$ 39,1 mil em propinas para tentar mitigar os prejuízos.
Segundo a Justiça do DF, a conduta de reter notas fiscais regulares sob pretextos inconsistentes visava causar o estrangulamento financeiro deliberado dos parceiros privados para forçar a aceitação das exigências criminosas.
Detalhes da condenação
A denúncia contra o militar foi apresentada pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), após atuação da 2ª Promotoria de Justiça Militar e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O crime de concussão foi atribuído ao coronel por 11 vezes.
Inicialmente condenado a 73 anos em 2021, a pena de Feitosa foi reajustada para 54 anos, 6 meses e 12 dias de reclusão em 2022 por concussão e associação criminosa.
Captura no Entorno do DF
- A prisão do coronel ocorreu durante ação conjunta entre a Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO) e o Centro de Inteligência da PMDF.
- O foragido foi localizado em sua propriedade rural no distrito de Girassol (GO).
- O mandado de prisão decorre do trânsito em julgado da sentença condenatória em 27 de junho de 2025.
- Com o condenado, os policiais apreenderam três armas de fogo: um revólver e duas espingardas munidas com luneta e silenciador.
- A apuração da coluna Na Mira revelou que o ex-oficial passou por procedimentos estéticos e cirurgias plásticas enquanto esteve foragido.
Posicionamento da PMDF
Em nota oficial, a Polícia Militar do DF informou que submeteu o oficial ao Conselho de Justificação no âmbito administrativo, recomendando sua exclusão da corporação. A perda formal do posto e da patente depende de julgamento do recurso sobre a Declaração de Indignidade para o Oficialato no TJDFT.
A instituição reiterou seu compromisso com a ética, a legalidade e a moralidade administrativa, ressaltando que aguarda o término do processo judicial para adotar as sanções administrativas definitivas cabíveis.
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