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A necessidade urgente de expandir os empregos na Índia tornou-se o maior desafio econômico do país, que precisa criar 7,8 milhões de vagas anuais até 2030 para absorver sua gigante população jovem. Com cerca de 370 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, a nação asiática busca migrar trabalhadores do campo para a indústria e os serviços antes que seu bônus demográfico se transforme em crise social.
Essa pressão reflete-se diretamente na rotina de trabalhadores como Nande Kumar, de 32 anos. Durante a semana, ele atua em uma multinacional de serviços financeiros em Nova Déli; nos fins de semana, opera como motorista de aplicativo para conseguir cobrir o custo de vida elevado da capital indiana.
O peso da transição demográfica e agrícola
Apesar de abrigar quase 1,5 bilhão de habitantes em um território equivalente a apenas 38% do tamanho do Brasil, a Índia ainda possui 46% de sua força de trabalho concentrada na agricultura. Contudo, o setor agrícola responde por menos de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Para impulsionar a renda per capita, o governo indiano reconhece a urgência de mover essa mão de obra para parques industriais e novos centros tecnológicos, superando a histórica dependência do trabalho no campo.
Desafios no setor tecnológico e gargalos educacionais
Embora seja reconhecida mundialmente por suas gigantes de tecnologia, como Tata e Infosys, o setor de software não consegue absorver sozinho toda a massa trabalhadora. V. Kamakoti, diretor do Instituto Indiano de Tecnologia (IIT) Madras, defende a criação de uma cadeia completa de manufatura e semicondutores no país.
Outro obstáculo crítico é o funil educacional e o desemprego juvenil, que atinge 9,9% entre jovens de 15 a 29 anos e chega a 13,6% nas áreas urbanas. Além disso, em 2025, um em cada quatro jovens indianos não trabalhava, estudava ou recebia qualificação profissional.
Desigualdade de gênero e projeções futuras
A disparidade de gênero agrava ainda mais o cenário. As mulheres representam apenas 30% das 562,1 milhões de pessoas ocupadas na Índia, e a taxa de jovens do sexo feminino fora do mercado e dos estudos alcança preocupantes 42%.
Com a meta de alcançar a pobreza zero e tornar-se uma nação totalmente desenvolvida até 2047, o primeiro-ministro Narendra Modi enfrenta o compromisso histórico de educar, capacitar e empregar centenas de milhões de cidadãos nos próximos anos.
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