Espaço para comunicar erros nesta postagem
Neste domingo (5/7), em Teerã, os filhos de Ali Khamenei — Meysam, Masoud e Mostafa — participaram do segundo dia do funeral público do ex-líder supremo do Irã, falecido em 28 de fevereiro após ataques dos Estados Unidos e Israel. Contudo, Mojtaba Khamenei, o sucessor designado para a liderança da República Islâmica, notavelmente não fez nenhuma aparição pública durante as cerimônias.
Imagens divulgadas pela televisão estatal iraniana mostraram os três irmãos rezando ao lado dos caixões de Ali Khamenei e de outros quatro membros da família. A cena ocorreu no pátio do Grande Mosalla Imam Khomeini, um dos maiores e mais importantes complexos religiosos da capital iraniana.
A ausência de Mojtaba Khamenei tem sido um ponto de atenção. Desde que assumiu a liderança suprema do país em março, ele não foi visto publicamente, nem teve imagens divulgadas oficialmente.
Autoridades norte-americanas indicam que Mojtaba teria ficado ferido e desfigurado durante os bombardeios de 28 de fevereiro. Esses ataques foram os mesmos que causaram a morte de Ali Khamenei e outros familiares.
Além dos quatro filhos homens, Ali Khamenei também deixou duas filhas, Boshra e Hoda. Até o momento, não houve confirmação sobre a presença delas nas cerimônias de despedida.
Multidão expressa homenagens e fervor político
Assim como no primeiro dia do funeral público, milhares de iranianos compareceram neste domingo ao Grande Mosalla Imam Khomeini. O objetivo era prestar as últimas homenagens ao ex-líder supremo, em um evento de grande comoção nacional.
A cerimônia reuniu fiéis, autoridades governamentais, líderes religiosos e integrantes da alta cúpula iraniana. O governo implementou um rigoroso esquema de segurança para acompanhar os eventos, que são considerados um dos maiores funerais da história recente do país.
Durante as homenagens, o clima foi permeado por fortes manifestações políticas. O poeta Mohammad Rasouli, encarregado de conduzir parte da cerimônia antes das orações, incitou a multidão a entoar gritos como “Morte aos EUA!” e “Morte a Israel!”.
Em um momento marcante do evento, Rasouli fez menção ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionando a multidão: “Por que o homem mais bastardo do mundo ainda está vivo?”. A declaração foi recebida com aplausos fervorosos dos presentes. Cartazes e pichações com mensagens pedindo a morte de Trump e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também foram exibidos.
Funeral adiado por quatro meses devido à guerra
As cerimônias públicas tiveram início no sábado (4/7), mais de quatro meses após a morte de Ali Khamenei. Esse adiamento é considerado incomum, dada a tradição islâmica que geralmente prevê o sepultamento em até 24 horas após o falecimento.
De acordo com o governo iraniano, o funeral precisou ser postergado devido à guerra que eclodiu logo após os ataques de 28 de fevereiro. Naquela ocasião, Estados Unidos e Israel bombardearam alvos estratégicos no Irã.
Durante o período de adiamento, o corpo de Ali Khamenei permaneceu preservado sob refrigeração. Essa medida é considerada aceitável em situações excepcionais, como conflitos armados, para garantir a integridade do processo.
As celebrações começaram com um evento restrito a autoridades e representantes de nações aliadas de Teerã, sendo posteriormente abertas ao público em geral.
Cortejo percorrerá cidades sagradas xiitas
O funeral foi meticulosamente planejado para durar seis dias, incluindo cerimônias em diversos locais de profunda importância religiosa para o islamismo xiita.
Após as homenagens em Teerã, o corpo de Ali Khamenei deverá ser levado para as cidades iraquianas de Najaf e Karbala. Esses locais abrigam alguns dos principais santuários da corrente xiita do islamismo, atraindo peregrinos de todo o mundo.
O sepultamento final está agendado para ocorrer em Mashhad, cidade natal de Khamenei, no complexo do Santuário do Imã Reza. Este é um dos locais mais sagrados e venerados da religião xiita.
Além de ser uma despedida ao ex-líder, o governo iraniano utiliza as cerimônias como uma demonstração de unidade nacional após meses de conflito. As homenagens também buscam solidificar a transição para a nova liderança do país e enviar uma mensagem de resistência diante dos embates com Estados Unidos e Israel.
Nossas notícias
no celular
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se