O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu o Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, como o local simbólico para dar início à sua campanha à reeleição. A escolha do berço do movimento sindical do ABC paulista busca reconectar a imagem do candidato às suas bases populares durante a corrida eleitoral.

No final da década de 1970, durante a ditadura militar, o local serviu de palco para as históricas paralisações dos metalúrgicos. Foi nesse cenário que o atual chefe do Executivo ganhou projeção nacional ao liderar o Sindicato dos Metalúrgicos em mobilizações no estádio cujo nome oficial é 1º de Maio.

Estratégia de aproximação popular

A volta ao estádio faz parte de uma diretriz traçada pelos marqueteiros petistas. O objetivo central é resgatar a figura de Lula como um líder vindo do povo, conceito que começou a ser trabalhado na convenção estadual que oficializou Fernando Haddad na disputa pelo governo paulista.

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Em evento recente em Campinas, a estrutura do palco foi reduzida para aproximar os militantes dos políticos. Segundo estrategistas do partido, a intenção é humanizar os candidatos e permitir um contato direto com os eleitores. Paralelamente, o lançamento de um jingle baseado no funk Rap do Silva reforça a narrativa popular.

Histórico das paralisações no ABC

A relação de Lula com a Vila Euclides remonta a março de 1979, quando uma assembleia com 60 mil trabalhadores precisou ser transferida do sindicato para o estádio. Sem sistema de som adequado, as orientações eram repassadas de forma oral entre a multidão a partir dos discursos feitos com megafone.

No ano seguinte, em 1980, as greves na região resultaram na prisão do líder sindical por 31 dias no DOPS paulista. A biografia do presidente, escrita por Fernando Morais, relata até mesmo episódios curiosos do período, como o prato de lula à dorê encomendado pela polícia após o término das paralisações.

FONTE/CRÉDITOS: Ramiro Brites