Pela primeira vez em seus três mandatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio da Alvorada uma comitiva de familiares de mortos e desaparecidos políticos. O encontro ocorreu na noite de segunda-feira (10), durante a exibição do filme "Honestino", cinebiografia do líder estudantil assassinado pela ditadura cujo corpo nunca foi encontrado.

Embora não tenha sido uma audiência oficial nos moldes cobrados historicamente por militantes de direitos humanos, a recepção na residência oficial foi muito comemorada pelos presentes. Diva Santana, irmã de uma militante morta no Araguaia, destacou a importância do momento.

"Eu fiquei contente com o encontro, foi a primeira vez, fiquei feliz. Para nós foi uma honra, fomos recebidos, fomos muito bem tratados", afirmou Diva, que integra a Comissão Especial sobre Mortos e Desapecidos Políticos (CEMDP).

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O colegiado, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, havia sido extinto durante a gestão de Jair Bolsonaro e foi recriado recentemente. A recriação gerou debates e cobranças intensas ao longo de 2023 por parte de parentes que criticavam a postura inicial do governo.

Durante o evento, a presidente da CEMDP, Eugênia Gonzaga, apresentou a Lula a certidão de óbito retificada de Honestino Guimarães. O documento agora registra formalmente a morte violenta causada pelo Estado brasileiro durante o regime instaurado em 1964.

Apesar da satisfação com o gesto simbólico, lideranças dos familiares ressaltam que ainda existe muito desgosto acumulado. A busca por respostas definitivas sobre o paradeiro dos restos mortais continua sendo a principal demanda dos parentes.

FONTE/CRÉDITOS: Fernando Henrique - Estágio DM