A mãe da biomédica Heloisa Rodrigues, de 28 anos, negou acusações de maus-tratos e exploração sexual durante depoimento à Polícia Civil na última quinta-feira (30/7). O caso é investigado no contexto de uma batalha judicial na qual a jovem tenta alterar seu registro civil.

Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o inquérito foi conduzido pelo 46º Distrito Policial (Perus). O procedimento passou por etapas no Poder Judiciário ao longo dos últimos meses. A pasta destacou que os demais detalhes permanecem sob sigilo judicial.

Desde 2024, Heloisa busca remover o nome materno de sua certidão de nascimento. Em primeira instância, a Justiça paulista autorizou a retirada dos sobrenomes da genitora, mas rejeitou a exclusão completa de seu nome no campo de filiação do documento.

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Na sentença, o juiz responsável reconheceu o histórico de violência, mas argumentou que a maternidade é um fato biológico insofismável. A repercussão do caso cresceu após publicações da vítima em redes sociais criticando a decisão que protege o registro materno.

Entenda o caso

  • Uma infância marcada por violência levou a biomédica Heloísa Rodrigues, de 28 anos, a travar uma batalha na Justiça de São Paulo para tentar retirar o nome da mãe de sua certidão de nascimento.
  • No processo, Heloísa acusa a genitora de maus-tratos e exploração sexual.
  • Um laudo emitido por uma psicóloga judiciária confirmou o sofrimento psíquico causado por anos de exposição ao trauma.
  • Em primeira instância, a Justiça aceitou o pedido de Heloísa para remover os sobrenomes da mãe, mas negou a exclusão da genitora do campo “filiação” no registro civil. Ao Metrópoles, a defesa da biomédica afirmou que está recorrendo da decisão.
  • A sentença ainda afirma que o tribunal “não é consultório terapêutico” e a exclusão do nome da genitora do documento não tem o poder de apagar a história vivida nem de curar feridas, “que devem ser trabalhadas no divã, pela autora, por meio de psicoterapia e/ou psicanálise, e não nos assentos cartorários”.
  • Em nota, a advogada da jovem disse que o recurso pede que a questão seja enfrentada sob uma perspectiva “constitucional e contemporânea” do Direito das Famílias, considerando que “o registro civil deve estar a serviço da pessoa e de sua dignidade, e não transformar-se em instrumento de perpetuação de uma violência já vivenciada”.
  • No processo, Heloísa Rodrigues diz que a genitora deixava que ela e as duas irmãs mais novas fossem abusadas sexualmente na infância por homens adultos, em troca de dinheiro.
  • Os abusos começaram quando Heloísa tinha 9 anos de idade. Apenas o irmão, o único homem entre os quatro filhos, teria sido poupado.
  • Ela também afirma que a mãe fazia com que ela e os irmãos tirassem fotos dela nua sozinha e ao lado de parceiros sexuais, durante momentos íntimos.
  • O documento ainda cita episódios de agressões físicas reiteradas e infundadas e ameaças, como a de que iria envenenar a filha.
  • Em julho do ano passado, a Justiça de São Paulo proibiu a mãe de se aproximar da biomédica, devendo manter distância mínima de 500 metros.
  • A vítima também conseguiu alterar no Judiciário o primeiro nome. Registrada como Larissa, passou a se chamar Heloísa, nome pelo qual se identifica atualmente.
FONTE/CRÉDITOS: Gabrielle Gonçalves and Enzo Marcus