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Neste sábado (12/9), moradores, artistas e movimentos sociais de Belo Horizonte se reúnem para o Festival da Onça, evento que exige a despoluição do Ribeirão do Onça. A mobilização ocorre no Mirante da Cachoeira e busca resgatar o acesso público à maior queda d’água urbana da capital mineira, degradada por décadas de despejo de esgoto sem tratamento.
História de degradação e perda ambiental
Com 31 metros de altura, a Cachoeira do Onça já funcionou como ponto de lazer para famílias da Região Norte da cidade nas décadas de 1950 e 1960. O local contava com matas preservadas, mas sofreu com a falta de saneamento básico, descarte de efluentes industriais e crescimento urbano desordenado ao longo dos anos.
A bacia do curso d’água abrange cerca de 212 km² entre Contagem e BH, percorrendo 38 quilômetros até desaguar no Rio das Velhas. As nascentes da região foram progressivamente cobertas ou secaram devido à ausência de fiscalização ambiental adequada.
Cobranças por saneamento e atuação da Copasa
O professor Roberto Andrés, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), destaca que a falta de coleta de esgoto compromete a saúde pública e o microclima local. Ele critica a distribuidora por repassar lucros a acionistas enquanto a interceptação de resíduos na bacia permanece incompleta.
Segundo Andrés, seriam necessários de três a quatro anos de investimentos direcionados para tratar os efluentes lançados na região. A reportagem procurou a Prefeitura de Belo Horizonte e a Copasa, mas aguarda um posicionamento oficial sobre o tema.
Mobilização comunitária e o Festival da Onça
Iniciativas populares iniciadas nos anos 1980 deram origem a grupos como o Conselho Comunitário Unidos pelo Ribeiro de Abreu (Comupra) e a frente "Deixe o Onça Beber Água Limpa". As ações ajudaram a preservar áreas verdes e a retirar centenas de famílias de locais sujeitos a inundações.
A 3ª edição do Festival da Onça utiliza a arte como ferramenta para pressionar o poder público por melhorias urbanas. A programação reúne atrações como a rapper Sarah Sampp, o cantor MC Papo e rodas de samba, valorizando talentos das regiões Norte e Nordeste da capital.
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