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A morte de Marcelo de Jesus Dias, conhecido como Nego Zum e apontado como peça-chave na investigação do atentado contra o tenente baleado Ronickson Pimentel dos Santos, levanta sérias questões. Ele foi morto em uma suposta troca de tiros por policiais da Rota na favela de Heliópolis, zona sul paulistana, na manhã de quinta-feira (9/7), mais de uma semana após o oficial ser alvejado na nuca em São Caetano do Sul, em 27 de junho. A ação da Rota, a mesma tropa do tenente, é vista como um complicador para apurar a motivação do crime.
Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, foi vitimado em um alegado confronto armado na manhã de quinta-feira (9/7). A ação foi conduzida por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a mesma unidade do Batalhão de Choque à qual o tenente Pimentel pertence. O oficial, por sua vez, segue internado em estado grave, mas estável, no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
Fontes próximas à investigação, que preferiram não se identificar, indicam que a eliminação de Nego Zum impacta diretamente o progresso das apurações. O atentado contra o tenente Pimentel, com características de execução, tem sua motivação ainda sob análise.
Além de Nego Zum, um segundo indivíduo, cuja identidade ainda não foi revelada, também perdeu a vida na mesma residência em Heliópolis, onde os policiais localizaram o suspeito.
A narrativa dos policiais militares sobre o confronto foi, supostamente, registrada pelas câmeras corporais que equipam os agentes. Contudo, essas imagens não foram disponibilizadas de imediato à Polícia Civil, órgão encarregado de investigar as circunstâncias das duas mortes.
A questão das câmeras corporais
Conforme consta no boletim de ocorrência, o delegado Lucas Ventura de Aquino, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), questionou o PM que apresentou o caso sobre as gravações. O policial militar, no entanto, afirmou não ter acesso ao conteúdo, alegando que os vídeos deveriam ser solicitados ao Setor de Justiça e Disciplina do 1º Batalhão de Choque.
O delegado Aquino ressaltou que a versão inicial da Polícia Militar é preliminar. Ela depende da análise de laudos periciais e das imagens das câmeras corporais para sua validação. Os vídeos foram formalmente requisitados à Justiça, via e-mail institucional, ainda no período do plantão.
Detalhes do atentado ao tenente
O tenente Ronickson Pimentel dos Santos, membro da Rota, foi alvejado na nuca em 27 de junho. O crime ocorreu enquanto ele aguardava em um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul.
Câmeras de segurança registraram o momento em que dois criminosos, em outra motocicleta, se aproximaram do PM. O garupa, então, apontou a arma para a cabeça do oficial e efetuou o disparo à queima-roupa, fugindo em seguida.
As autoridades competentes, até o momento, não divulgaram detalhes sobre as possíveis motivações do crime. Nenhuma hipótese foi descartada na investigação.
A investigação sugere que o ataque foi premeditado. Outras imagens de segurança revelaram que os suspeitos monitoravam a movimentação do tenente Pimentel momentos antes da emboscada.
O tenente Pimentel é irmão de Eloá Pimentel, vítima de um assassinato em 2008. Ela foi mantida em cárcere privado por mais de 100 horas pelo ex-namorado, Lindemberg Alves.
Demora no aviso à Polícia Civil
Os registros oficiais indicam que o incidente ocorreu por volta das 8h26. Contudo, a Polícia Militar só notificou o tiroteio ao distrito policial às 10h58, um lapso de aproximadamente duas horas e meia. O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) foi informado às 11h57.
A equipe de homicídios partiu da unidade às 13h, chegando ao local do confronto às 13h40, mais de cinco horas após os disparos. Ao chegarem, os investigadores encontraram o imóvel já preservado por uma equipe da própria Rota.
Cenário do confronto e perícia
No cenário da suposta "troca de tiros" em Heliópolis, os dois homens já haviam sido removidos da residência e encaminhados ao hospital. A Polícia Civil não localizou testemunhas oculares, mas identificou câmeras de segurança em estabelecimentos vizinhos que podem ter capturado a movimentação.
Dentro da casa, os peritos constataram a presença de sangue no chão e marcas de disparos nas paredes. A versão dos policiais militares aponta que Nego Zum foi atingido na cozinha, próximo à entrada principal, enquanto o segundo homem teria sido baleado em um quarto no terceiro andar.
Em uma análise preliminar, ambos os indivíduos apresentavam três ferimentos no tórax. A quantidade exata de disparos e as trajetórias dos projéteis aguardam a conclusão dos exames necroscópicos e balísticos. No local, foram apreendidas 12 cápsulas de munição deflagradas, cuja origem precisa ser definida pela perícia.
O armamento apreendido
O registro policial evidencia uma notável diferença no calibre do armamento. De um lado, as armas utilizadas pelos agentes da Rota; de outro, as atribuídas aos dois indivíduos mortos.
Para perícia, foram apreendidas quatro armas da Polícia Militar: dois fuzis calibre 5,56 e duas pistolas Glock calibre .40. A Nego Zum foi associado um revólver Taurus calibre 38, com numeração raspada, contendo dois cartuchos deflagrados, dois picotados (que teriam falhado) e um intacto. Ao segundo homem, uma pistola calibre 9 milímetros, também com numeração suprimida, com três munições intactas no carregador.
A versão da Rota descreve que os agentes realizavam diligências para localizar Nego Zum quando avistaram um homem armado entrando na residência. Os policiais alegaram ter sido recebidos a tiros em dois locais distintos do imóvel, o que os levou a revidar. Nenhum policial militar sofreu ferimentos.
Outras mortes na operação
Além de Nego Zum e do indivíduo não identificado, outros cinco homens perderam a vida em ações da Rota durante as buscas relacionadas ao atentado contra o tenente baleado.
Os sete foram, em diferentes fases, indicados como possíveis participantes do ataque. Em ao menos quatro dos incidentes, os policiais afirmaram ter recebido denúncias sobre o envolvimento dos mortos. No entanto, as investigações ainda não confirmaram a participação direta da maioria.
Entre os mortos está Elenilson Misael da Silva, conhecido como Galego, de 47 anos, baleado pela Rota em Peruíbe, litoral paulista. Inicialmente, a Polícia Civil descartou sua ligação com o atentado. Posteriormente, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelou que Galego tinha contato com Hércules da Costa Siqueira, o Golias, apontado como o provável atirador contra Pimentel. Seu papel no ataque, contudo, permanece sem esclarecimento.
Três indivíduos suspeitos de dar suporte aos executores foram detidos até agora. Um deles, em situação de dependência química, foi flagrado abandonando e limpando a motocicleta usada no crime, tarefa pela qual teria recebido R$ 100.
O principal suspeito permanece foragido
O principal suspeito de atirar contra o tenente baleado, Hércules da Costa Siqueira, o Golias, segue foragido. Há indícios de que ele tenta deixar o país, acompanhado da esposa e das filhas menores, desde que sua prisão temporária foi decretada em 3 de julho.
A tese de fuga se intensificou após câmeras de segurança registrarem Golias, usando boné e máscara, ao lado de sua mulher, Cláudia Ferreira Ramos, e das crianças. A gravação foi feita durante um deslocamento por Taubaté, no interior de São Paulo, com a polícia indicando que o grupo seguiria rumo à Baixada Santista.
O nome de Golias foi inserido na Difusão Vermelha da Interpol, recurso que viabiliza sua localização e captura em território estrangeiro. Adicionalmente, o governo paulista oferece uma recompensa de R$ 50 mil por informações que auxiliem na sua localização.
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