A ADPF das favelas modificou profundamente a estratégia de enfrentamento ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro. A avaliação é de especialistas em segurança pública e direito penal, que destacam novos rumos para as investigações na região.

Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, aponta que a medida gerou uma transformação silenciosa. O foco deixou de ser apenas o varejo do tráfico nas comunidades para atingir a engrenagem central do esquema criminoso.

Segundo a especialista, as investigações passaram a atacar simultaneamente o braço armado, o setor econômico e o setor institucional. Isso inclui a apuração sobre o envolvimento de agentes públicos, autoridades e políticos na proteção aos esquemas ilegais.

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Essa mudança ocorreu após o desfecho do julgamento no Supremo Tribunal Federal. A Corte determinou que a Polícia Federal abrisse uma investigação permanente e com dedicação exclusiva contra a criminalidade fluminense.

O STF também exigiu que órgãos como o Coaf e a Receita Federal deem máxima prioridade às diligências. Para especialistas, a medida rompe com o histórico de operações baseadas no confronto direto e sem resultados estruturais duradouros.

Atuação federal ampliada

O ex-policial federal Roberto Uchôa concorda com a avaliação e ressalta a importância do apoio institucional. Para ele, o estado do Rio de Janeiro sozinho não possui condições de combater organizações que capturaram diversas instituições públicas.

Pesquisas recentes do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos apontam a alta expansão de áreas dominadas por grupos armados. O cenário reforça a necessidade de estratégias coordenadas entre diferentes esferas de poder para desmantelar redes de corrupção e financiamento ilícito.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil