A gigante do varejo Casas Bahia anunciou neste domingo (16) que estuda pedir uma nova recuperação judicial ou extrajudicial para renegociar suas dívidas. A medida ocorre após a companhia registrar um expressivo prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, impactada por severas baixas contábeis e reestruturação operacional.

O resultado negativo contrasta fortemente com as perdas de R$ 555 milhões apuradas no mesmo período do ano anterior. Como consequência do rombo financeiro, o patrimônio líquido da empresa ficou negativo em R$ 8,1 bilhões. A dívida líquida da varejista fechou o trimestre em R$ 1,2 bilhão.

De acordo com a administração da companhia, o prejuízo bilionário decorre principalmente de R$ 5,7 bilhões em baixas no balanço. Esses ajustes incluem impostos diferidos, ágio, revisões operacionais e custos com o fechamento de unidades.

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Reorganização operacional e incertezas

Para tentar conter a crise financeira, a empresa reduziu drasticamente o volume de compras de estoque e fechou 298 lojas. Além disso, foram demitidos cerca de dois mil funcionários na última semana, segundo informações do jornal Valor Econômico.

Em nota sobre o balanço, a auditoria externa EY declarou abstenção de opinião sobre as demonstrações financeiras. O parecer aponta uma incerteza relevante quanto à capacidade de a varejista manter suas operações no mercado.

A diretoria informou ainda que pretende rever a estratégia dos seus canais digitais. O foco agora será a busca por margens de lucro e geração de caixa, em vez da expansão do volume de vendas.

Impacto dos juros altos no varejo

Este é o oitavo trimestre seguido em que a empresa reporta prejuízos. Analistas do setor apontam que a combinação de juros elevados com o alto endividamento das famílias tem penalizado fortemente as empresas varejistas no país.

Vale lembrar que em abril de 2024 a rede já havia recorrido a um processo de recuperação extrajudicial para gerenciar R$ 4,1 bilhões em débitos, concluído três meses depois.

O cenário desafiador não se restringe à rede. Outras grandes concorrentes do mercado brasileiro, como Magazine Luiza, Renner e C&A, também vêm reportando queda nas margens ou resultados abaixo das expectativas dos analistas em trimestres recentes.

FONTE/CRÉDITOS: Fernando Henrique - Estágio DM