O empresário Lourival de França Monário, diretor-presidente da viação Transunião, será incluído na lista da Interpol após uma solicitação formal do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O executivo é considerado foragido desde o fim de junho, quando a Operação Última Parada foi deflagrada para apurar o uso da empresa de transporte na ocultação de patrimônio ilícito do Primeiro Comando da Capital (PCC).

As investigações conduzidas pelo MPSP e pela Polícia Civil apontam que a concessionária paulistana servia como fachada para lavar capital do tráfico de drogas. As decisões financeiras da empresa eram tomadas por um núcleo paralelo, encarregado de repassar recursos diretamente a integrantes da facção criminosa, além de envolver outros suspeitos, como o vereador Senival Moura (PT).

Evolução patrimonial e conexões investigadas

Um dos pontos centrais da apuração é o salto no capital social da Transunião, que passou de pouco mais de R$ 100 mil para superar a marca de R$ 50 milhões sem justificativa contábil transparente. Conforme o MPSP, esse aporte expressivo com dinheiro de origem ilícita foi fundamental para que a empresa vencesse a licitação do transporte público de São Paulo.

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A movimentação financeira da viação também revelou conexões com ramificações de outras grandes ações policiais, como a Operação Carbono Oculto e a Operação Mafiusi — esta última realizada junto à Polícia Federal para investigar acordos entre o PCC e a máfia italiana 'Ndrangheta.

Lançamento na Difusão Vermelha

Monário também mantinha vínculos comerciais com Everton de Souza, conhecido como "Player", apontado como operador financeiro do PCC. O nome do executivo será encaminhado para a Difusão Vermelha da organização internacional, acionando as forças policiais globais para sua localização e captura.

Segundo declarações do promotor Danilo Pugliesi, a estratégia societária fraudulenta observada na Transunião repetiu o mesmo modelo utilizado por outras operadoras do setor, como a UpBus e a Transwolff. Procurada pela reportagem para se manifestar sobre as acusações, a Transunião não apresentou resposta até o encerramento deste texto.

FONTE/CRÉDITOS: Pablo Giovanni