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Escutas interceptadas pela Polícia Civil durante a Operação Vectura Corrupta revelam que um elo entre o PCC e políticos atuou como "laranja" na compra de uma refinaria de biodiesel avaliada em R$ 40 milhões, além de tratativas envolvendo a Usina Campo Limpo, no interior de São Paulo.

O investigado José Daniel Satilite, conhecido como Alemão, é apontado como a figura central dessas negociações milionárias. Em registros obtidos a partir de seu telefone celular, ele figurava como mediador entre empresários, advogados, figuras políticas e pessoas associadas à cúpula da facção criminosa.

Sócio-proprietário da empresa Translider, Alemão exercia papel direto nas transações comerciais relativas à Refinaria Fanal. Documentos da investigação indicam que ele foi cobrado por um integrante detido do grupo criminoso sobre o detalhamento e a participação da organização na aquisição da empresa de combustíveis.

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Diálogos gravados mostram a interlocução entre Alemão e Edivânia Arruda Botelho Alves, também alvo da ação policial. Segundo os investigadores, Edivânia era incumbida de transportar recados do membro detido da organização até o articulador, além de tratarem de negócios sobre transporte municipal em Leme.

Esquema no transporte público e papel dos advogados

A ação conjunta entre a Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) apurou que Alemão também integrava um esquema fraudulento voltado ao setor de transporte público municipal.

O esquema contava com o suporte direto de defensores técnicos. Os advogados Cícero José dos Santos Filho e Milton Mello Milreu foram alvos de mandados de prisão temporária por atuarem em favor do grupo nas negociações financeiras e institucionais.

A acusação aponta que Milreu utilizava a infraestrutura e a conta bancária de seu escritório para sediar reuniões e movimentar receitas ilícitas. Já Cícero foi identificado como integrante da "Sintonia dos Gravatas", braço jurídico da facção, e interlocutor direto de Alemão.

FONTE/CRÉDITOS: Marcus Pontes