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Por Alex Blau Blau
O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, intensificou sua agenda nesta semana e aproveitou uma sequência de entrevistas para apresentar sua visão sobre os principais desafios da segurança pública brasileira.
Com experiência na gestão da segurança do DF e atuação também em âmbito nacional, Avelar adotou um discurso firme ao tratar da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
Para ele, o momento exige responsabilidade e não pode ser transformado em uma disputa entre grupos políticos.
Avelar sustenta que a defesa das instituições deve estar acima de preferências ideológicas. Na avaliação do ex-secretário, quando existe uma questão que atinge a credibilidade das instituições brasileiras, a reação não pode depender de quem está sendo beneficiado ou prejudicado politicamente.
A indignação, segundo ele, precisa ser de todos.
A posição apresentada pelo ex-secretário também se conecta com a forma como ele afirma ter conduzido sua atuação na área de segurança. À frente da SSP-DF, Avelar defendeu a integração entre diferentes forças e órgãos públicos, buscando construir políticas que não dependessem de alinhamento partidário.
Ele também ocupou a presidência do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública por duas vezes. Segundo contou, conseguiu aproximar os 27 secretários estaduais em torno de pautas comuns, mesmo diante das diferenças políticas entre os governos.
“A segurança é para todos.”
Experiência prática contra o excesso de teoria
No CABECAST, Avelar conversou com a jornalista Francine Marques e com a coronel Maria Costa, presidente da CABE da Polícia Militar do Distrito Federal.
Durante o programa, a coronel fez uma observação que acabou ganhando destaque: o crescimento da presença dos chamados “policiólogos” no debate sobre segurança pública.
A expressão foi utilizada para questionar aqueles que analisam a criminalidade apenas sob o ponto de vista teórico, sem necessariamente conhecer a realidade enfrentada diariamente pelos policiais.
Avelar apresentou sua própria trajetória como contraponto. Antes de chegar à política, construiu carreira na área de segurança e posteriormente esteve à frente da SSP-DF.
Na entrevista, também voltou a defender mudanças no sistema de Justiça, principalmente em relação à sensação de que criminosos presos acabam rapidamente retornando às ruas.
Ao falar sobre as audiências de custódia, afirmou que pretende enfrentar o assunto caso conquiste uma cadeira na Câmara dos Deputados.
“Com o mandato eu resolvo isso antes de terminar o meu primeiro mandato. Eu tenho certeza disso.”
Viva Flor como símbolo de prevenção
Um dos principais pontos destacados por Avelar ao recordar sua passagem pela SSP-DF foi a expansão do Viva Flor, programa criado para proteger mulheres vítimas de violência doméstica.
O dispositivo funciona como uma ferramenta de emergência e localização, permitindo que a vítima acione a Polícia Militar e tenha uma resposta rápida em uma situação de risco.
Avelar ressaltou o crescimento do número de mulheres monitoradas.
“Quando eu cheguei na Secretaria, em 2023, só tinha 189 mulheres que estavam sendo monitoradas através desse dispositivo. Hoje são mais de duas mil.”
Para o ex-secretário, o combate ao feminicídio precisa começar muito antes do crime.
Ele defende que agressões e ameaças sejam tratadas como sinais de um processo de violência que precisa ser interrompido imediatamente.
“Eu acho que a gente tem que interromper o processo logo do começo.”
“Não dá para colocar um policial em cada casa”
Na Rádio Metrópoles, durante o programa Os Canecas da Notícia, com Toninho Pop, Francês, Apagão Maluco, Solano Reis e Jhuly Ramazotti, Avelar aprofundou a discussão sobre violência contra a mulher.
Segundo ele, grande parte dos casos ocorre dentro de residências, o que torna impossível imaginar uma solução exclusivamente baseada na presença policial.
O ex-secretário defendeu uma combinação de repressão, prevenção e educação.
Para Avelar, crianças e adolescentes precisam aprender desde cedo valores de respeito e convivência, criando uma mudança cultural que, embora leve tempo, poderia produzir efeitos duradouros.
“A gente tem que começar a conversar com processos de educação já dos jovenzinhos, desde criança.”
Uma agenda além da Segurança Pública
Avelar também aproveitou as entrevistas para apresentar outros pontos que pretende discutir caso seja eleito deputado federal, incluindo legislação penal, responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes violentos e mudanças relacionadas ao enfrentamento da violência doméstica.
O discurso do ex-secretário procura combinar a experiência acumulada na gestão pública com uma agenda política voltada para o Congresso.
Ao relembrar sua passagem pela SSP-DF, Avelar apresenta como pilares de sua atuação a integração entre instituições, investimento em tecnologia, prevenção e proteção às vítimas.
Agora, na condição de candidato, tenta transformar essa experiência em propostas de alcance nacional.
E, diante do atual cenário de tensão entre instituições, mantém uma posição que atravessa sua fala durante toda a semana: questões que envolvem a República não deveriam ser tratadas com paixão partidária, mas com responsabilidade institucional.
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