GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) alertou que o debate público sobre o futuro do Brasil está sendo prejudicado por um cenário eleitoral distorcido, marcado pela superficialidade e pela escassez de propostas estruturais. Segundo Samira de Castro, presidenta da Fenaj, a busca incessante por audiência por parte da grande mídia e a adoção de estratégias de marketing por parte das candidaturas têm esvaziado discussões essenciais sobre os problemas reais do país.

Samira de Castro criticou o que chamou de "tiktokização" das campanhas eleitorais, onde a atenção se volta para ações momentâneas e superficiais, como dancinhas, em detrimento de debates aprofundados sobre questões cruciais. Essa dinâmica, segundo ela, afeta a capacidade da população de compreender e debater os programas de governo e as propostas dos candidatos.

A presidenta da Fenaj também destacou o papel do jornalismo em tempos de crise, como a que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF). Ela ressaltou a importância de a imprensa ir além da cobertura superficial de escândalos e vazamentos seletivos, buscando aprofundar a discussão sobre os problemas estruturais do país e as demandas da sociedade civil. A busca por audiência, muitas vezes, leva veículos a competirem com a lógica das redes sociais, gerando engajamento momentâneo, mas sem aprofundamento necessário.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Em entrevista à Agência Brasil, Samira de Castro apontou que a crise político-institucional, com denúncias envolvendo o caso Master e a Polícia Federal, tem dominado o noticiário, relegando a segundo plano as pautas eleitorais tradicionais. Ela expressou pessimismo quanto a uma possível mudança de foco, dada a aproximação do primeiro turno.

Para a Fenaj, o jornalismo declaratório e a superficialidade com que escândalos são tratados prejudicam o debate eleitoral. A falta de discussão sobre temas urgentes como a questão climática e a exploração de terras raras, por exemplo, evidencia o empobrecimento das campanhas e a necessidade de uma cobertura que vá além da repercussão de fatos pontuais.

A dirigente defende que a mídia precisa insistir em uma "segunda agenda", que contemple os desafios futuros do país nos campos econômico, social e geopolítico. A cobertura deve ser feita com fontes plurais e confiáveis, evitando vieses editoriais e buscando ouvir a população afetada pelas políticas. O jornalismo tem um papel social fundamental em compartilhar informações de interesse público que gerem cidadania, e não apenas em repercutir fatos que mobilizam determinados setores políticos e econômicos.

FONTE/CRÉDITOS: Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil