Ao definir o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente para a eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concluiu a montagem de sua chapa puro-sangue. Com o impasse resolvido, a coordenação da campanha reorganiza as diretrizes de viagem e foca a comunicação na área de segurança pública.

A escolha encerra semanas de negociações frustradas com legendas do Centrão, como Republicanos, Podemos, PP e União Brasil. Sem coligação oficial, o candidato do PL perdeu a chance de expandir seu tempo no horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio.

O período pré-eleitoral também acumulou ruídos políticos, incluindo divergências com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e desgastes ligados ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Agora, aliados buscam virar a página para colocar a equipe nas ruas com o início da propaganda.

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O foco estratégico será a pauta da segurança pública, reforçada pela trajetória de Gaspar, que é ex-promotor de Justiça, ex-secretário de Segurança de Alagoas e atuou como relator da CPMI do INSS. A equipe avalia que a reputação do deputado confere credibilidade ao combate à criminalidade.

Nos bastidores, a aposta é usar a atuação de Gaspar no Congresso, onde pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, para reativar a rejeição ao PT. A intenção é acentuar o discurso focado em investigações e combate à corrupção durante os debates.

Resistência no eleitorado feminino e surpresa com a escolha

A indicação de Gaspar pegou alas do próprio partido de surpresa, já que a prioridade inicial era compor a chapa com uma mulher para reduzir a rejeição entre eleitoras. Nomes como Tereza Cristina, Daniella Marques, Renata Abreu, Bia Kicis, Priscila Costa e Michelle Bolsonaro foram cogitados.

A ex-primeira-dama recusou o convite por orientação de Jair Bolsonaro, preferindo disputar o Senado. Segundo dados da pesquisa Genial/Quaest, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com 39% das intenções de voto contra 30% de Flávio. No segmento feminino, o petista atinge 38%, enquanto o senador do PL marca 26%.

Isolamento partidário e limitação do tempo de TV

Com a chapa formada apenas por filiados do PL, Flávio terá menor tempo de exibição do que Lula. De acordo com projeções baseadas nas bancadas da Câmara, Lula disporá de 5 minutos e 32 segundos por bloco no horário gratuito, contra 4 minutos e 20 segundos de Flávio. Ronaldo Caiado terá 2 minutos e 2 segundos, enquanto Augusto Cury contará com 36 segundos.

Nas inserções diárias ao longo da programação, Lula deve somar 6 minutos e 11 segundos, enquanto o candidato do PL ficará com 4 minutos e 51 segundos. A distribuição definitiva do tempo será homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o registro das candidaturas em 15 de agosto.

Como funciona a divisão do horário eleitoral

  • Apenas legendas que cumprem a cláusula de desempenho têm acesso ao horário gratuito.
  • No primeiro turno, as exibições ocorrem às terças, quintas e sábados, distribuídas em dois blocos diários de 12 minutos e 30 segundos.
  • A divisão destina 10% do tempo igualitariamente e 90% conforme o tamanho das bancadas eleitas na Câmara dos Deputados em 2022.
  • No segundo turno, o tempo total é repartido de forma igualitária entre os dois finalistas.
FONTE/CRÉDITOS: Kevin Lima and Luciana Saravia