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O vereador paulistano Lucas Pavanato (PL) causou repercussão ao adotar um ritmo que antes combatia em sua propaganda eleitoral para a Câmara dos Deputados. Conhecido por associar o funk ao crime organizado durante a CPI dos Pancadões em São Paulo, o parlamentar agora utiliza um jingle no estilo "pancadão" para atrair eleitores em suas redes sociais.

Na peça de campanha intitulada "Corte Rápido (Funk do Pavanato)", o candidato aparece segurando uma caixa de som e vestindo óculos de sol do modelo Juliet, característicos do movimento urbano. A letra da música pede votos diretamente ao número do político conservador.

A escolha do estilo musical contrasta com a atuação pública do parlamentar. Em 2025, ele atuou como relator da CPI dos Pancadões na Câmara Municipal de São Paulo. A comissão investigou a perturbação do sossego público e a realização de eventos clandestinos na capital paulista.

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No relatório final dos trabalhos, o vereador defendeu que os bailes de periferia servem como ferramentas de propagação da "narcocultura". Segundo o texto aprovado, esses eventos legitimariam a violência e o tráfico de drogas como caminhos para a ascensão social de jovens periféricos.

Ações contra o movimento cultural

Além da comissão parlamentar, o político articulou medidas contra manifestações artísticas do gênero. Ele e o deputado Felipe Sertanejo (PL) acionaram o Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra uma exposição sobre a história do funk no Museu da Língua Portuguesa.

A mostra "Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade" teve seu encerramento antecipado após as pressões. Na ocasião, o parlamentar criticou a exibição pública, alegando que ela normalizava a sexualidade explícita e fazia apologia a práticas ilícitas para crianças e adolescentes.

Reações e contradições políticas

A mudança de postura gerou duras críticas de adversários políticos e usuários de redes sociais. O vereador Professor Toninho Vespoli (PSOL) acusou a extrema-direita de abandonar o próprio discurso moralista durante o período eleitoral para angariar votos nas periferias.

Em resposta, o candidato argumentou que sua oposição se restringe às letras que fazem apologia ao crime ou que desvalorizam as mulheres. Ele sustentou que o ritmo musical em si não é o problema, mas sim o conteúdo das mensagens transmitidas.

O uso do funk em campanhas de direita não é exclusivo. A produtora Prismah, responsável pelo jingle do candidato paulistano, também desenvolve materiais semelhantes para outros nomes do PL, como Nikolas Ferreira e André Fernandes, que já adotaram estratégias sonoras parecidas.

FONTE/CRÉDITOS: Rodrigo Tammaro and Gabrielle Gonçalves