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Vítimas da médium Maira Rocha, investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), relatam que o serviço de psicografia de cartas, supostamente enviadas por entes queridos falecidos, podia levar até dois meses para ser entregue. Segundo os relatos, esse longo prazo se dava após a exigência de dados sensíveis por parte do centro espírita, levantando suspeitas de que a médium utilizava esse tempo para produzir os manuscritos com base em informações coletadas.
O menor intervalo entre o fornecimento de dados e a entrega de uma carta, conforme apurado, foi de 21 dias. Em contrapartida, o maior período de espera registrado foi de 68 dias, conforme dados de uma inscrição feita em novembro de 2021.
Um grupo de vítimas que compareceu a uma sessão em agosto de 2024 relatou que as inscrições foram feitas com 63 dias de antecedência e que o conteúdo das mensagens parecia ter sido extraído de redes sociais. As denúncias apontam para um comportamento premeditado, com cartas repletas de detalhes que poderiam ser facilmente encontrados em fontes públicas.
Investigação sobre o serviço de psicografia de Maira Rocha
Maira Rocha é fundadora da Casa da Caridade Inácio Daniel e sua atuação tem sido alvo de investigação jornalística que aponta para um esquema de manipulação emocional. As cartas psicografadas seriam forjadas com base em pesquisas em fontes abertas, incluindo redes sociais e Boletins de Ocorrência.
A médium, que possui uma grande base de seguidores nas redes sociais, é acusada de copiar trechos de perfis e apresentar textos desconexos. Em algumas situações, foram citados espíritos de pessoas que ainda não haviam falecido, ou fatos que nunca ocorreram.
Procurada, Maira Rocha teria se recusado a responder às acusações, alegando não ter direito de resposta e ameaçando com processos judiciais quem publicasse denúncias.
Casos e semelhanças com postagens online
Ex-frequentadores e membros do meio espiritualista afirmam que as psicografias de Maira são imprecisas e contêm conceitos mal interpretados, coletados da internet. As vítimas, em momentos de fragilidade emocional, inicialmente não percebiam as falhas, mas a constatação da má-fé se tornava clara posteriormente.
Relatos indicam que o conteúdo das cartas era, em muitos casos, retirado de postagens no Instagram, Facebook e outras redes sociais. Algumas mensagens continham informações falsas.
Um caso específico envolve uma carta supostamente enviada pela mãe falecida de Paulo*, que continha um comentário idêntico a uma postagem no Facebook de sua genitora. A carta também citava uma neta inexistente, possivelmente baseada em postagens sobre uma outra neta.
A investigação jornalística revelou que Maira Rocha realizava um trabalho de apuração aprofundado, buscando informações em comunidades online e até mesmo em buscas por CNPJ de empresas familiares. Frases de cartas psicografadas apresentavam semelhanças com postagens públicas de formatura de filhos e comparações feitas pelos próprios filhos em suas redes.
Em outro caso, uma carta citava uma festa de 15 anos de uma neta e pedia para que o filho não pintasse o cabelo do neto, informações que estavam publicadas em posts antigos da falecida em vida. A família denunciou o caso à PCDF.
Fábia*, outra suposta vítima, relatou que, após a perda dos pais, buscou consolo na Casa Inácio Daniel e chegou a trabalhar voluntariamente no local. Ela e suas irmãs recebiam supostos recados dos pais, que também pareciam ter sido retirados de mídias sociais. A suspeita se intensificou quando Maira descreveu a mãe de um auxiliar de outra médium, que na verdade era a própria médium para quem ele trabalhava.
As irmãs passaram a analisar com mais atenção os transcritos e notaram informações inconsistentes, como a menção a um neto inexistente e o uso de apelidos que a falecida jamais utilizava. A investigação revelou que Maira Rocha pesquisava até mesmo o CNPJ de uma loja da família para obter informações.
A falta de emoção ao receber as cartas, devido às informações desconexas, e a descoberta de que informações óbvias, como elogios a quadros pintados por uma filha que os publicava abertamente, reforçaram a convicção das vítimas sobre a fraude.
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