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Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, anunciaram uma nova técnica promissora para decifrar pergaminhos antigos de aproximadamente dois mil anos, carbonizados pela erupção do Monte Vesúvio. Publicado na revista Plos One, o método combina raios X e inteligência artificial, oferecendo esperança para ler textos históricos perdidos de Herculano.

Há cerca de dois mil anos, a violenta erupção do Monte Vesúvio devastou as cidades romanas de Pompeia e Herculano. Esse evento catastrófico resultou no soterramento e carbonização de diversos papiros e pergaminhos que continham escritos de filósofos antigos, levando à perda inestimável de materiais históricos.

A principal dificuldade em decifrar esses documentos reside na composição da tinta. A maioria dos textos antigos foi escrita com tintas à base de carbono, um material que as tecnologias convencionais de raios X não conseguem penetrar e identificar eficazmente. Isso sempre representou um grande desafio para a arqueologia.

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Contudo, o estudo recente liderado pela Universidade de Berkeley propõe uma abordagem inovadora. Os cientistas apostam na detecção de chumbo presente em algumas partes do material. Este elemento, ao contrário do carbono, é facilmente identificável por tecnologias de raios X, abrindo um novo caminho para a leitura dos textos.

Para validar essa teoria, os pesquisadores conduziram experimentos controlados. Eles criaram um papiro falso, utilizando tinta à base de chumbo, e o carbonizaram intencionalmente para simular as condições extremas dos artefatos originais encontrados em Herculano.

Em seguida, a equipe empregou a fluorescência de raios X para mapear os elementos presentes na amostra e suas respectivas quantidades. Posteriormente, uma tomografia de raios X foi aplicada, gerando imagens 3D com o auxílio de um software desenvolvido especificamente para este propósito.

Essas técnicas combinadas permitiram aos especialistas reler partes do texto no material de teste, mesmo em áreas com níveis mínimos de chumbo. Embora a decifração completa de todo o material ainda seja um desafio, a técnica representa um avanço significativo.

Os pesquisadores afirmam que este método de baixo risco é crucial para o desenvolvimento de algoritmos de leitura, sem comprometer a integridade de artefatos históricos de valor inestimável. A descoberta foi detalhada na revista Plos One, reforçando o potencial da tecnologia para a arqueologia.

FONTE/CRÉDITOS: Jorge Agle