O policial civil Rafael Juergen Schult, investigado recentemente pelo sequestro de um homem na zona leste de São Paulo, já era alvo de um inquérito na Corregedoria da Polícia Civil por prevaricação. A investigação apura a conduta do agente durante uma operação realizada pelo Departamento Estadual de Repressão aos Narcotráficos (Denarc) em 2023, na qual ele aparece transportando uma mala com notas de dinheiro.

Gravações obtidas pela apuração mostram Schult com uma mochila repleta de maços de cédulas antes da prisão de três suspeitos por tráfico de drogas. Embora a equipe policial confirme a presença do valor, os agentes alegaram à fiscalização interna que o montante consistia em “dinheiro cinematográfico”, utilizado apenas para simular a aquisição de entorpecentes e fundamentar a prisão em flagrante.

Contradições na operação em Mogi Mirim

A ação ocorreu em 14 de setembro de 2023, no município de Mogi Mirim, no interior paulista. Na ocasião, o policial relatou ter feito acompanhamento velado em um estabelecimento comercial após receber denúncias sobre comércio ilícito. Em seguida, os agentes abordaram os suspeitos em uma residência, apreendendo dez tijolos de cocaína e uma balança de precisão.

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Contudo, a defesa de um dos réus apresentou gravações do ocorrido ao longo do processo criminal, alegando sérias irregularidades na abordagem. Diante das inconsistências, o Judiciário remeteu as provas à Corregedoria, que instaurou inquérito formal em maio deste ano para apurar eventual crime funcional praticado por Schult e pelo policial Patrik José Nunes de Souza Filho.

Versões divergentes sobre o dinheiro

Em depoimento, Patrik confirmou a presença do colega nas imagens e reiterou que as notas eram cenográficas. Por outro lado, a defesa do acusado sustenta que a quantia foi exibida como parte da negociação de um imóvel rural, e não de drogas. Não foi possível localizar a defesa dos policiais para manifestação.

Schult também alegou que um informante conhecido como “Alemão” fingiu ser o comprador para enganar os alvos. Já os advogados de defesa classificam o homem como um colaborador informal envolvido na ação, afirmando ainda que ele teria disparado para o alto durante a abordagem — alegação veementemente negada pelo agente.

Investigação por sequestro

Além do caso em Mogi Mirim, Schult — atualmente lotado no 78º DP (Jardins) — responde por outro episódio grave ocorrido em 12 de agosto em Artur Alvim. Imagens de segurança flagraram o agente e outros dois homens armados rendendo e algemando um suposto traficante, que continua desaparecido. A Justiça já recebeu o pedido de prisão temporária do policial.

FONTE/CRÉDITOS: Alfredo Henrique