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Neste domingo (28/6), o presidente russo, Vladimir Putin, admitiu que a Rússia enfrenta um período desafiador em meio à guerra na Ucrânia, conforme noticiado pela agência TASS. Durante um congresso do partido Rússia Unida, Putin prometeu “garantir a segurança do país” e superar os desafios impostos pelos ataques ucranianos contínuos contra infraestruturas militares e de hidrocarbonetos em território russo, visando enfraquecer o poderio de Moscou.
“Reconhecemos os problemas e estamos ativamente a lidar com eles. Contudo, asseguraremos inquestionavelmente a segurança da nação e dos nossos cidadãos”, declarou Putin no congresso do seu partido, o Rússia Unida, evento que antecede as eleições parlamentares de setembro.
Ele reforçou que “todos os desafios atuais, incluindo os ataques terroristas ao nosso território e infraestruturas”, serão superados, fazendo alusão direta às ações de Kiev em solo russo.
Nos últimos meses, Kiev tem intensificado significativamente sua campanha de ataques tanto em território russo quanto em áreas ucranianas sob controle de Moscou. Essas ações são uma resposta direta aos bombardeios russos, que têm provocado baixas diárias desde o início da ofensiva em fevereiro de 2022.
A estratégia ucraniana visa principalmente as infraestruturas energéticas, buscando interromper as receitas de hidrocarbonetos que sustentam o esforço de guerra do Kremlin. O pronunciamento de Putin ocorreu horas após um “massivo” ataque de drones ucranianos na região de Krasnodar, que resultou em uma morte e um incêndio na refinaria de Slavyansk-na-Kubani, conforme relatou o governador Veniamin Kondratyev.
Crise de combustível
Em 18 de junho, uma refinaria próxima a Moscou sofreu um ataque que causou explosões significativas e um grande incêndio. Além disso, na última sexta-feira, a Península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014, foi declarada em “estado de emergência”. Isso ocorreu devido a uma série de ataques de Kiev, que levaram as autoridades a suspender a venda de combustível e a implementar cortes de energia para a população.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, declarou no domingo, por meio de uma publicação nas redes sociais, que esses ataques “significam menos recursos para a máquina de guerra russa e mais um passo em direção à paz”. Ele assumiu a responsabilidade pelas ofensivas contra a refinaria de Slavyansk-na-Kubani e a região de Yaroslavl, localizada ao norte de Moscou.
Atualmente, os esforços diplomáticos mediado pelos Estados Unidos para a resolução do conflito permanecem paralisados.
As ofensivas ucranianas têm gerado escassez de combustível em diversas regiões, resultando em longas filas e racionamento nos postos. Zelenskyy enfatizou: “Continuamos com operações que enfraquecem a capacidade da Rússia de travar esta guerra”, destacando que as refinarias atingidas estavam situadas a cerca de 300 e 700 quilômetros do território ucraniano.
Imagens não verificadas, amplamente divulgadas nas redes sociais, revelaram um incêndio de grandes proporções na refinaria. Esta instalação possui uma capacidade de cerca de 100 mil barris diários, produzindo combustível tanto para consumo interno russo quanto para exportação.
Na região de Yaroslavl, o governador informou sobre a imposição de restrições temporárias de tráfego em algumas vias de acesso à capital.
A refinaria de Slavyansk-na-Kubani, uma das maiores do sul da Rússia e parte do grupo “Slavyansk EKO”, localiza-se próxima à Península da Crimeia, anexada por Moscou. Esta instalação tem sido repetidamente alvo de ataques ucranianos.
Escalada de ataques
Entre a noite de sábado e o domingo, o Ministério da Defesa russo reportou a interceptação de 213 drones ucranianos. As interceptações ocorreram em mais de dez regiões russas, abrangendo inclusive a área de Moscou.
Um relatório recente da Energy Intelligence, empresa de pesquisa energética com sede nos EUA, aponta que aproximadamente um terço da capacidade de refino de petróleo da Rússia foi impactado pelos ataques ucranianos.
Em contrapartida, a Rússia prossegue com seus ataques diários à Ucrânia. Entre a noite de sábado e o domingo, bombardeios russos em Kiev, a capital ucraniana, deixaram ao menos duas pessoas feridas.
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