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O fenômeno climático El Niño deve provocar uma onda de calor intenso e alterar o padrão pluviométrico em Minas Gerais nos próximos meses, conforme apontam especialistas em meteorologia. Embora vídeos em redes sociais sugiram o armazenamento de mantimentos, técnicos afirmam que, apesar dos eventos extremos previstos para o final de 2026, não há justificativa para o desabastecimento ou corridas aos supermercados.
A tendência de estocar produtos ganhou força com relatos como o de Mirella Dellazzari, influenciadora do Triângulo Mineiro. Ela mantém reservas para três meses, hábito iniciado na pandemia e reforçado por convicções pessoais e religiosas, baseadas na prudência.
No entanto, o planejamento doméstico de Mirella, que inclui desde alimentos básicos até itens de primeiros socorros, é visto por ela como uma medida de responsabilidade individual, sem relação direta com um risco iminente de colapso no fornecimento global.
El Niño pode atingir níveis históricos de intensidade
Dados da agência norte-americana NOAA indicam uma probabilidade de 63% de o fenômeno ser classificado como 'muito forte' entre o final de 2026 e o início de 2027. O aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação atmosférica global de forma drástica.
O cientista do clima Lucas Oliver compara o efeito a um banheiro fechado com o chuveiro quente ligado: o calor gerado em um ponto específico acaba se dissipando e elevando a temperatura de todo o ambiente, influenciando o clima em escala planetária.
O ritmo atual de aquecimento das águas preocupa a comunidade científica por ser mais acelerado do que em eventos anteriores. Se as projeções se confirmarem, este poderá ser um dos episódios mais severos registrados desde a década de 1950.
O que esperar do clima em território mineiro
Para o estado de Minas Gerais, a previsão indica um verão marcado por menos dias chuvosos e sucessivas ondas de calor. Estima-se que os termômetros possam ultrapassar os 35°C com frequência, especialmente entre os meses de outubro e março.
A umidade proveniente da Amazônia deve encontrar barreiras atmosféricas no Sudeste, sendo desviada para a Região Sul do Brasil. Isso resulta em períodos secos mais prolongados em solo mineiro, intercalados por chuvas torrenciais e localizadas.
Embora o volume total de chuva possa cair apenas 15%, a concentração dessas precipitações em poucos dias aumenta o risco de desastres naturais, como inundações e deslizamentos de terra em áreas vulneráveis.
Impactos na agricultura e no setor elétrico
Os setores produtivos, especialmente a agricultura, devem ser os primeiros a sentir os reflexos climáticos. A irregularidade das chuvas também dificulta a recuperação dos reservatórios das hidrelétricas, que dependem de precipitações constantes.
O cenário projeta possíveis aumentos na conta de luz para o início de 2027 devido à baixa dos reservatórios. Contudo, meteorologistas reiteram que previsões climáticas são probabilísticas e não devem motivar pânico ou estocagem de água pela população.
O meteorologista ressalta que, embora os modelos indiquem um cenário de atenção, ainda se trata de uma projeção sujeita a mudanças. Por fim, ele reforça que não há sentido prático em estocar mantimentos, pois a localização exata dos eventos extremos é imprevisível.
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