A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) assegurou, neste sábado (4/7), que o Cine Brasília, um dos mais importantes equipamentos culturais do DF, não será fechado. A declaração surge em meio a temores de que o icônico cinema de rua pudesse suspender suas operações devido a atrasos no pagamento de repasses, com recursos garantidos apenas até o fim de julho.

Contudo, um pleito formal para a liberação da verba pendente já foi direcionado à Secretaria de Economia do Distrito Federal. A própria Secretaria de Cultura reforçou sua posição ao Metrópoles, em nota divulgada neste sábado (4/7): “Não cogitamos esse fechamento”, afirmou a pasta.

A Secec enfatizou a relevância do espaço, declarando que “Não podemos deixar o Cine Brasília, esse ícone da nossa cultura, fechar por falta de verba. Para nós, isso é impensável”. A expectativa da Secretaria de Cultura é obter uma resposta da pasta de Economia em um futuro próximo.

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Em maio de 2024, o Governo do Distrito Federal (GDF) estabeleceu um contrato de gestão compartilhada com a Organização da Sociedade Civil (OSC) Box Cultural, com duração de três anos, para administrar o Cine Brasília. Conforme previsto no edital, a Box Cultural deveria receber seis parcelas de R$ 1 milhão até novembro de 2026.

Contudo, a quinta parcela, cujo repasse estava agendado para 23 de maio, não foi efetivada. A Secretaria de Cultura, por sua vez, já havia emitido a previsão de pagamento há cerca de um mês e agora aguarda exclusivamente a ordem bancária da Secretaria de Economia para concretizar a transferência dos recursos.

Para mitigar a situação, a Box Cultural obteve uma autorização excepcional e temporária para empregar recursos provenientes de sua própria arrecadação, como a bilheteria. A Secretaria de Cultura do DF esclareceu que essa medida será seguida por uma “posterior recomposição dos valores, observadas as regras aplicáveis e a regularidade da execução do projeto”.

Garantia de funcionamento até o fim de julho

Conforme informado pela Secretaria de Cultura, essa providência assegura a operação regular do Cine Brasília até o término de julho, período em que o pedido de liberação da parcela pendente está em tramitação. “Até o fim deste mês, o funcionamento do Cine Brasília está garantido”, reiterou a pasta, buscando tranquilizar a comunidade.

Adicionalmente à quinta parcela em atraso, a sexta e derradeira parcela do contrato está programada para 23 de novembro de 2026. A equipe do Metrópoles tentou contatar a Box Cultural para um posicionamento, mas a Organização da Sociedade Civil optou por não emitir comentários sobre o atual cenário.

Detalhes da crise financeira

A delicada situação financeira do Cine Brasília foi detalhada durante uma reunião do Conselho Consultivo, realizada na manhã de 30 de junho. Na ocasião, a administração do cinema alertou que, se o pagamento não fosse efetuado nas três semanas seguintes, as atividades seriam suspensas.

Foi revelado também que a folha de pagamento de aproximadamente 40 funcionários encontra-se em atraso. Diante disso, a Box Cultural solicitou à Secretaria de Cultura permissão para empregar recursos do próprio caixa na quitação dos salários dos colaboradores.

Originalmente, essa verba estava destinada à aquisição de um novo projetor para a sala de exibição, mas o pedido da Box Cultural foi prontamente acolhido pela Secretaria de Cultura.

O legado do Cine Brasília

Parte integrante do projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer e do Quadrilátero Modelo de Lucio Costa, o Cine Brasília foi inaugurado em 22 de abril de 1960. Este equipamento público cultural representa um marco na história da capital federal.

Reconhecido como um dos mais relevantes centros de exibição cinematográfica da América Latina, o Cine Brasília foi agraciado com o título de Patrimônio Mundial da Humanidade em 1987, atestando sua inestimável importância cultural.

Posicionamento da Secretaria de Economia

A reportagem do Metrópoles buscou contato com a Secretaria de Economia para obter um posicionamento sobre o pagamento pendente, mas não obteve resposta até a última atualização desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações futuras.

FONTE/CRÉDITOS: Francisco Dutra