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Um estudo inédito revela que o temor da violência contra mulheres alterou a rotina e as decisões diárias de 98% das brasileiras. A pesquisa "Segurança das Mulheres", conduzida pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva em abril, aponta que a sensação de insegurança afeta diretamente a mobilidade, os estudos, o trabalho e o lazer no país, fazendo com que oito em cada dez cidadãs relatem já ter sofrido algum tipo de agressão.

O levantamento ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões brasileiras, apresentando margem de erro de 2,8 pontos percentuais. Os dados mostram que a percepção de perigo atinge 94% das mulheres nos deslocamentos urbanos, contra 90% dos homens, evidenciando como as experiências prévias ou relatadas por terceiros alimentam um estado de constante vigilância nas cidades.

Estratégias diárias de proteção e renúncias

Para minimizar os riscos, a imensa maioria adota táticas de defesa. Cerca de 90% das entrevistadas evitam frequentar determinados locais, enquanto 88% não compartilham dados de localização na internet. Além disso, 84% deixam de utilizar o celular na rua e 83% evitam sair no período noturno ou avisam pessoas próximas sobre seus trajetos.

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Essa cautela afeta decisões profundas de vida. Segundo o levantamento, 45% das mulheres já recusaram oportunidades profissionais ou de estudo por receio da insegurança. Adicionalmente, 62% modificaram hábitos de lazer, 58% deixaram de frequentar espaços preferidos e 44% cogitaram mudar de residência ou cidade em busca de proteção.

Avaliação do Poder Público e impacto eleitoral

Os locais com menor sensação de segurança incluem estabelecimentos de lazer (41%), pontos de ônibus ou estações (42%) e o transporte público em si (33%). Diante desse cenário, as entrevistadas cobram ações governamentais efetivas, indicando as polícias (73%) e os governos federal e estadual (69%) como os principais responsáveis pelo combate à criminalidade.

Apesar dessa exigência, a reprovação das instituições é alta: o Poder Legislativo acumula 74% de avaliação negativa, seguido pelas gestões estaduais (72%), Judiciário (71%) e governo federal (71%). Como reflexo, 78% das eleitoras afirmam que as propostas voltadas para a proteção feminina nos espaços públicos e transportes influenciarão diretamente suas escolhas no pleito eleitoral.

FONTE/CRÉDITOS: Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil