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O histórico acordo de paz na Colômbia completou dez anos de sua primeira assinatura em Cartagena, um marco que visava encerrar mais de meio século de conflito armado entre o governo e as Farc. Embora o pacto tenha desarmado milhares de guerrilheiros, a persistente violência de novos grupos armados e a lentidão estatal em cumprir as metas estabelecidas ainda ameaçam a consolidação da paz no país.
Firmado originalmente em setembro de 2016 pelo ex-presidente Juan Manuel Santos e pelo líder guerrilheiro Rodrigo Londoño, o tratado garantiu a Santos o Prêmio Nobel da Paz. No entanto, após a rejeição inicial da população em um plebiscito apertado, o texto definitivo precisou ser renegociado e ratificado em novembro daquele ano, em Bogotá.
Avanços humanitários contrapostos pelo avanço da violência
Uma década depois, o balanço da iniciativa apresenta contrastes profundos. O principal triunfo do processo foi a desmobilização de mais de 13 mil combatentes, dos quais a grande maioria segue integrada à vida civil. Contudo, o vácuo de poder deixado pela guerrilha não foi ocupado de forma eficaz pelo Estado colombiano.
Esse cenário permitiu a ascensão de novas facções. Dados oficiais apontam que o número de combatentes ativos em grupos armados saltou de 6.519 em 2017 para mais de 24 mil em 2025. Paralelamente, os deslocamentos forçados e os assassinatos em massacres praticamente dobraram no período, evidenciando a fragilidade da segurança pública.
Lentidão institucional e metas pendentes
A raiz da crise reside no ritmo lento de implementação das cláusulas do acordo. Segundo o Instituto Kroc, apenas 36% das metas foram totalmente cumpridas até 2025, restando poucos anos para o prazo final em 2031. Áreas críticas, como a reforma rural e a proteção física de ex-combatentes, continuam severamente negligenciadas.
Por outro lado, os Programas de Desenvolvimento com Enfoque Territorial (PDET) trouxeram melhorias reais. Entre 2018 e 2024, a iniciativa reduziu significativamente a pobreza multidimensional nos municípios mais afetados pela guerra, mostrando que a participação comunitária é um caminho viável para a transformação social.
Politicamente, a transição entre diferentes governos fragilizou a continuidade do pacto. Desde a gestão de Iván Duque até a atual presidência de Gustavo Petro, focada na proposta de "paz total", as negociações com grupos remanescentes geraram desconfiança sobre o real compromisso do Estado em honrar os tratados de longo prazo.
Apesar do cenário adverso e do corte orçamentário previsto pelo governo de Abelardo de la Espriella, especialistas apontam que o tratado não faliu. Sobreviver a uma década de polarização política e violência armada consolida a experiência colombiana como um dos processos de paz mais resilientes do mundo contemporâneo.
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