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O bebê Noah Gabriel da Cruz Santos, de apenas um mês, que havia sido declarado como morto na Santa Casa de Rio Claro, interior de São Paulo, foi encontrado com sinais de vida por agentes funerários nesta terça-feira (21), após o óbito ter sido oficialmente constatado. Este surpreendente evento revelou que o recém-nascido, dado como sem vida, ainda manifestava reações, gerando uma reviravolta no caso do bebê.
A descoberta chocante
A agente funerária Regina Célia Paschoal foi a primeira a notar a anomalia ao chegar à unidade hospitalar para recolher o corpo do pequeno Noah. Ela relatou ter percebido uma movimentação dentro do saco funerário preto, que já estava lacrado com fitas.
Diante da situação inusitada, e assumindo a responsabilidade, Regina decidiu abrir o invólucro. "Meu Deus, o que eu faço?", questionou-se a profissional à EPTV, descrevendo o dilema vivido naquele instante.
Ao deslacrar o saco, a agente observou que o bebê intensificou seus movimentos, exibindo sinais claros de tentativa de respiração.
A cena, que incluiu o recém-nascido tossindo e emitindo sons na ânsia por ar, foi descrita por Regina como um dos maiores sustos e, simultaneamente, uma das emoções mais indescritíveis de sua carreira.
Matheus Batagello, outro funcionário da funerária presente, corroborou a percepção dos sinais vitais. Embora a princípio houvesse a dúvida de que seriam apenas espasmos, a equipe decidiu acionar imediatamente os profissionais da Santa Casa, pois o bebê "estava se mexendo e dando tipo um soluço, como se estivesse engasgado".
Histórico clínico e a declaração de óbito
Noah estava sob cuidados na UTI Neonatal da Santa Casa de Rio Claro desde seu nascimento. Prematuro e diagnosticado com fenda palatina – uma malformação no céu da boca –, o bebê aguardava transferência para um hospital especializado para a realização de uma cirurgia. Contudo, em 15 de novembro, data em que completava um mês de vida, seu estado de saúde se agravou, culminando em uma parada cardiorrespiratória.
Segundo informações da Santa Casa, a equipe médica empregou manobras de reanimação cardiopulmonar por cerca de 45 minutos, em estrita conformidade com os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria. Frente à ausência de resposta ao tratamento, o óbito foi oficialmente declarado ao final da tarde.
Após a confirmação do falecimento, Noah permaneceu na UTI por aproximadamente uma hora, para os trâmites legais e o acolhimento familiar. Posteriormente, foi levado a outro setor do hospital, onde aguardaria a chegada da equipe funerária. Foi nesse ponto que a surpreendente reviravolta se deu.
A reviravolta e a continuidade do tratamento
Diante dos movimentos e sons percebidos no bebê, os agentes funerários prontamente alertaram os profissionais da Santa Casa. O recém-nascido foi submetido a uma reavaliação médica urgente, sendo readmitido na UTI Neonatal para retomar os cuidados intensivos. Poucos dias depois, com a vaga anteriormente solicitada liberada, Noah foi transferido para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP, conhecido como Centrinho, em Bauru, onde seu tratamento prossegue.
O posicionamento da Santa Casa
Em comunicado oficial, a Santa Casa de Rio Claro esclareceu que todos os procedimentos técnicos e legais para a constatação do óbito foram seguidos com rigor. A instituição reiterou que, com base nas evidências disponíveis no momento, nenhuma falha assistencial foi identificada.
O hospital enfatizou que a médica que conduziu as manobras de reanimação possui 14 anos de experiência em neonatologia. O episódio foi categorizado pela instituição como um dos mais extraordinários e singulares já registrados em sua trajetória.
A direção da Santa Casa classificou o ocorrido como "um dos episódios mais inexplicáveis" em sua história, respeitando as diversas interpretações sobre o evento. Para muitos profissionais e familiares envolvidos, o caso é considerado um autêntico milagre.
A decisão familiar e o debate
Apesar da intensa repercussão nacional, os pais de Noah Gabriel da Cruz Santos declararam que não têm intenção de iniciar uma ação judicial contra a Santa Casa.
Letícia Cristina da Cruz Santos, mãe do bebê, afirmou que o filho recebeu atendimento adequado durante toda a internação. Ela testemunhou de perto o empenho da equipe médica nas tentativas de salvá-lo.
A mãe relatou que a médica responsável pela reanimação lutou incansavelmente durante todo o procedimento antes de comunicar o falecimento da criança.
Embora a Santa Casa mantenha a posição de que todos os protocolos médicos foram rigorosamente seguidos, o episódio continua a intrigar pela identificação dos sinais vitais do bebê somente após ele ter sido entregue para os procedimentos funerários.
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