O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) revelaram, por meio da segunda etapa do Censo Escolar 2025, uma significativa melhora nos indicadores educacionais do Brasil, com quedas expressivas nas taxas de reprovação, abandono e atraso escolar entre 2022 e 2025. Esses resultados positivos são atribuídos à eficaz implementação de diversas políticas públicas, que visam aprimorar o desempenho e a permanência dos estudantes na rede pública de ensino.

Divulgados na última sexta-feira (26), os dados fazem parte da segunda fase do Censo Escolar 2025, uma iniciativa do Inep que anualmente monitora e calcula as taxas de rendimento escolar em todo o território nacional.

O MEC enfatiza que essa evolução nos indicadores educacionais brasileiros é fruto da introdução de programas estruturantes a partir de 2023. Entre as iniciativas destacam-se o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Escola em Tempo Integral e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, somadas à criação do Pé-de-Meia em 2024 e aprimoramentos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

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O ministro da Educação, Leonardo Barchini, expressou satisfação com os resultados, ressaltando que um número maior de estudantes está permanecendo na escola, progredindo em suas séries e concluindo seus estudos dentro do prazo esperado.

"Este cenário é um reflexo direto de uma série de políticas públicas que focam na permanência, na aprendizagem e na otimização das condições de oferta da educação básica", afirmou Barchini. "Adicionalmente, notamos uma melhora concomitante nos índices de abandono, repetência e atraso escolar em todo o Brasil."

Avanços na permanência escolar

Os indicadores revelam um aumento significativo na permanência de estudantes no ensino médio. Entre 2022 e 2025, a taxa de não retorno para essa etapa de ensino registrou uma queda de 28%, demonstrando que um maior número de jovens manteve sua frequência escolar de um ano para o outro.

Manuel Palacios, presidente do Inep, calculou que, caso o indicador de permanência tivesse se mantido nos patamares de 2022, o país teria aproximadamente 250 mil estudantes a menos matriculados no ensino médio em 2025. "Um contingente considerável de jovens, que potencialmente estaria fora do ambiente escolar, continuou seus estudos", destacou.

Ações integradas e o programa Pé-de-Meia

O MEC aponta o programa Pé-de-Meia como uma das iniciativas cruciais para aprimorar o ensino médio na rede pública. Desde sua implementação em 2024, esta "Poupança do ensino médio" já alcançou 7,2 milhões de estudantes em todo o país.

Este programa federal concede um incentivo financeiro a estudantes que mantêm a frequência escolar, progridem de série, completam a educação básica e participam das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Na visão do ministro da Educação, o Pé-de-Meia representa a principal força motriz na recuperação da educação básica brasileira, sendo considerado um dos programas mais impactantes das últimas duas décadas por sua capacidade de combater a desigualdade de oportunidades.

"É fundamental que o jovem em situação de vulnerabilidade social tenha acesso às mesmas oportunidades de concluir seus estudos que qualquer outro estudante", salientou o ministro. "O Pé-de-Meia transcende a mera transferência de renda; ele se configura como uma política educacional estratégica para impulsionar a permanência e o desempenho acadêmico dos alunos."

Foco na educação básica e alfabetização

Os progressos notáveis no ensino médio são, em parte, reflexo de outras iniciativas implementadas em diferentes etapas da educação básica. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, por exemplo, está diretamente relacionado ao aumento do índice de alfabetização, que saltou de 36% em 2021 para 66% em 2025.

O objetivo primordial do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada é assegurar que todas as crianças brasileiras sejam alfabetizadas até o término do 2º ano do ensino fundamental. Além disso, o programa visa recuperar as lacunas de aprendizagem causadas pela pandemia para 100% das crianças matriculadas entre o 3º e o 5º ano.

Expansão do ensino em tempo integral

O Ministério da Educação ressalta a significativa expansão das matrículas na modalidade de educação em tempo integral, que cresceu de 15,1% em 2021 para 25,8% em 2025, beneficiando um total de 8,8 milhões de estudantes da rede pública.

Nesta modalidade educacional, o aluno permanece na instituição de ensino por um período mínimo de sete horas diárias ou 35 horas semanais, com a finalidade de enriquecer e expandir suas oportunidades de aprendizagem.

Entre 2021 e 2025, a política de ensino integral gerou mais de 1,8 milhão de novas matrículas. Pela primeira vez na história, a educação em tempo integral atingiu a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que visava ter um em cada quatro estudantes matriculados nesta modalidade.

Conectividade e transformação digital

O MEC também credita parte dos resultados positivos à transformação digital das escolas públicas, impulsionada pela Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec). Esta iniciativa visa expandir a infraestrutura tecnológica das redes de ensino e garantir o acesso à internet de qualidade em todas as escolas públicas de educação básica do Brasil.

Graças à Enec, o número de escolas com acesso à internet aumentou em 43,7%. Enquanto em 2023 havia 66,8 mil escolas estaduais e municipais conectadas, esse total agora alcança 100 mil instituições.

Com um investimento superior a R$ 3 bilhões entre 2023 e 2025, o MEC estima que a estratégia já beneficiou aproximadamente 24 milhões de estudantes, expandindo significativamente suas oportunidades de acesso a recursos educacionais digitais.

O papel estratégico do Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mantém-se como a principal via de acesso ao ensino superior no Brasil, servindo de base para programas do MEC como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fies.

Entre 2022 e 2025, o Enem observou um crescimento de 46% no número de inscrições realizadas por estudantes concluintes da rede pública.

Em 2025, o Enem retomou sua função de certificação para a conclusão do ensino médio, destinada a participantes que preencham os requisitos específicos. Adicionalmente, foi implementada a inscrição pré-preenchida para os concluintes da educação básica na rede pública.

O ministro Barchini esclareceu que o governo federal está empenhado em facilitar o ingresso de um número maior de estudantes no ensino superior ou na educação profissional.

Inovadoramente, a partir de 2026, o Enem será empregado também como ferramenta de avaliação da qualidade do ensino médio brasileiro, expandindo sua relevância no monitoramento e direcionamento das políticas educacionais.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil