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O comércio entre Brasil e Índia deve passar por uma forte expansão para alcançar a marca de US$ 20 bilhões nos próximos anos, impulsionado por negociações diplomáticas recentes e visitas de delegações empresariais ao país. Em reunião nesta semana, representantes dos dois governos avançaram em tratativas para diversificar os produtos negociados e atrair novos investimentos ao mercado nacional.
Liderada pelo secretário de Comércio da Índia, Rajesh Agrawal, a comitiva reuniu executivos de 19 empresas dos setores farmacêutico, agrícola, de alimentos, mineração e infraestrutura. A visita visou destravar barreiras comerciais e identificar oportunidades estratégicas de negócios nas regiões Sudeste e Nordeste.
Atualmente, a corrente de trocas entre as nações é de cerca de R$ 15 bilhões. Para impulsionar esse volume, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a contraparte indiana assinaram um memorando de entendimento para facilitar investimentos conjuntos e ampliar as linhas tarifárias negociadas.
Avanço na balança comercial bilateral
A Índia ocupa hoje o posto de décimo maior parceiro comercial do Brasil. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a balança comercial atingiu US$ 15,2 bilhões no último ano, representando uma alta de 25% em relação ao período anterior.
O Brasil exportou US$ 6,9 bilhões para os indianos, destacando-se a venda de petróleo, minério de ferro, algodão bruto e óleos vegetais. Em contrapartida, as importações vindas do país asiático somaram US$ 8,3 bilhões.
Investimentos expressivos em infraestrutura e mineração
O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, pontuou que as trocas econômicas registraram alta de 20% este ano, impulsionadas pela reaproximação diplomática. Entre os projetos em destaque está a atuação do grupo indiano Fomento, que já destinou mais de US$ 450 milhões para a extração de minério de ferro no Rio Grande do Norte.
Com um aporte total previsto de R$ 2,5 bilhões, a empresa também arrematou a concessão de um trecho do porto de Natal para escoamento logístico. De acordo com o diretor executivo Anuj Timblo, as operações devem começar em 2029, projetando uma capacidade de 2 milhões de toneladas anuais.
Aliança política e diversificação global
Além do aspecto financeiro, a parceria reflete o alinhamento político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Narendra Modi. Ambas as nações defendem pautas de sustentabilidade, multilateralismo e o fortalecimento do Sul Global na governança internacional.
Segundo o MDIC, a convergência vai além das trocas mercantis, configurando uma aliança estratégica em áreas como biocombustíveis e minerais críticos. A estratégia de aproximação também busca diversificar parceiros diante de pressões tarifárias globais vindas dos Estados Unidos.
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