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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, aparece em conversas obtidas pelo portal UOL como suposto integrante de uma rede internacional de prostituição ativa desde 2023. A apuração jornalística divulgada nesta terça-feira (13) aponta que o esquema contava com intermediários e uma agência de eventos.
Os aportes financeiros direcionados à estrutura ultrapassariam a marca de R$ 4,3 milhões. Os registros analisados mostram que o empresário não apenas participava de eventos reservados, mas também opinava diretamente sobre a seleção, os repasses financeiros e a permanência das mulheres.
O grupo contava com estrangeiras de nações como Ucrânia, Rússia, Venezuela, Argentina e Polônia. Entre elas havia refugiadas, a exemplo de uma jovem ucraniana de 19 anos que teria ingressado no circuito durante sua fuga da guerra.
A Polícia Federal conduz investigações para esclarecer eventuais irregularidades na contratação dessas mulheres e nas atividades da rede. O escopo da apuração inclui a análise de possíveis crimes de tráfico internacional de pessoas e exploração sexual.
Agência de eventos e participação financeira
Conforme os diálogos divulgados pelo UOL, a operação contava com intermediários para a logística e o agenciamento, citando nomes como o empresário Leonardo Serrano e o produtor Diogo Batista.
As conversas apontam negociações para a compra de metade da Allure Eventos por R$ 1,5 milhão em dezembro de 2023. Um comprovante encontrado nos registros indica uma transferência de R$ 500 mil ao dono da empresa, Felipe Nisti Cataldo, que confirmou o interesse de Vorcaro, mas ponderou sobre a concretização do acordo.
Refugiada ucraniana aparece em conversas
A situação da jovem ucraniana ganhou destaque nos registros a partir de outubro de 2023. Diante da impossibilidade de retornar ao país natal em meio aos conflitos, os envolvidos discutiram alternativas para mantê-la no Brasil e inseri-la na agência.
A presença de refugiadas em situação de vulnerabilidade adiciona complexidade ao caso, embora a comprovação de crimes como o tráfico humano dependa de critérios legais rígidos e da análise aprofundada dos investigadores.
Festas privadas e pagamentos milionários
A infraestrutura do esquema abrangia eventos dentro e fora do país. A gestão logística sob responsabilidade de Leonardo Serrano gerou faturas que somaram cerca de US$ 70 milhões entre abril de 2024 e março de 2025, com repasses direcionados por meio da gestora Moriah Asset ao Banco Master.
As autoridades ressaltam que os valores registrados nas faturas internacionais não traduzem, isoladamente, gastos exclusivos com atividades ilícitas, exigindo cruzamento documental rigoroso.
Investigação apura possíveis crimes
Enquanto a prostituição voluntária entre adultos não configura crime no ordenamento jurídico brasileiro, a exploração da atividade alheia e o tráfico de pessoas são rigorosamente punidos. A Polícia Federal segue analisando o material para definir responsabilidades individuais no caso.
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