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A promulgação da emenda constitucional que extingue a tradicional jornada de trabalho na escala 6x1 inaugura uma nova fase nos direitos laborais do Brasil. A medida assegura o direito a dois dias de folga semanal e coroa mais de um século de reivindicações por limites saudáveis e tempo livre para os profissionais.

Com base em dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a Agência Brasil mapeou os principais momentos dessa evolução.

Herança escravista

Antes das primeiras normas de proteção, a economia brasileira dependeu por séculos do trabalho escravizado. O TST destaca que o sistema livre e assalariado é recente na história nacional.

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Foram cerca de 400 anos apoiados na exploração de pessoas escravizadas. Em contrapartida, o regime remunerado tem pouco mais de um século de existência.

Essa base histórica ajuda a compreender a lentidão na formulação de garantias sociais.

Primeiros passos

No começo do século 20, operários iniciaram mobilizações por limites de horário. A ausência de regulamentação gerava jornadas exaustivas em múltiplos setores.

Conforme registros do MTE, em 1912, a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT) pedia a jornada de oito horas diárias e o limite de seis dias de labor.

Outras demandas incluíam indenizações por acidentes, piso salarial e seguros obrigatórios para saúde e velhice.

Ministério, justiça e clt

Em 1918, o governo instituiu o Departamento Nacional do Trabalho. A proteção avançou em 1923 com o Conselho Nacional do Trabalho, embrião da Justiça do Trabalho.

Nos anos 1930, a criação da pasta ministerial por Getúlio Vargas expandiu as normativas. O processo culminou na instalação da Justiça do Trabalho em 1941.

O marco definitivo ocorreu em 1943 com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), unificando as regras existentes.

Da constituição ao fim da escala 6x1

Durante décadas, o teto semanal era de 48 horas. A Constituição Federal de 1988 reduziu esse limite para 44 horas, mantendo as oito diárias.

Agora, o fim da escala 6x1 modifica novamente a rotina de comércios e serviços, ampliando o descanso e coroando as lutas históricas.

Linha do tempo

Até 1888 – Economia baseada no trabalho escravizado, sem leis protetivas.

1912 – CBT reivindica oito horas diárias e limites semanais.

1918 – Fundação do Departamento Nacional do Trabalho.

1923 – Criação do Conselho Nacional do Trabalho.

1930 – Instituição do Ministério do Trabalho.

1941 – Instalação da Justiça do Trabalho.

1943 – Criação da CLT.

1988 – Constituição reduz a semana para 44 horas.

2026 – Fim da escala 6x1 e garantia de dois dias de folga.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil