As investigações relacionadas ao processo de seleção de famílias para os residenciais Poço do Ouro I e II, vinculados ao programa Minha Casa, Minha Vida, seguem repercutindo em Luziânia. Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou inconsistências no processo realizado em 2024, período em que a Secretaria Municipal de Habitação era comandada pelo então secretário Nixon das Casinhas (PSB).

De acordo com o órgão de controle, critérios estabelecidos pelo Ministério das Cidades não teriam sido plenamente observados durante a seleção dos beneficiários. A CGU recomendou a realização de um novo processo seletivo. As conclusões do relatório também motivaram a abertura de apurações por parte da Polícia Federal.

À época, a seleção foi conduzida por uma organização social denominada Habitat Social. Informações levantadas durante a apuração indicam que a entidade foi fundada pelo atual vereador Nixon das Casinhas, que também já ocupou a presidência da instituição. A administração da organização, segundo registros, contou posteriormente com a participação de pessoas próximas ao parlamentar.

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Outro ponto que integra as investigações diz respeito ao terreno onde foram construídos os empreendimentos, que, conforme apurado, teria pertencido anteriormente ao vereador. As circunstâncias dessa transação ainda são analisadas pelas autoridades.

A reportagem também recebeu relatos de participantes das reuniões de cadastramento. Segundo essas fontes, que preferiram não se identificar, havia orientações relacionadas ao uso de celulares durante os encontros. Os relatos, no entanto, não foram confirmados oficialmente e fazem parte do conjunto de informações em apuração.

O que diz o vereador:

Procurado pela reportagem, o vereador Nixon das Casinhas encaminhou respostas por escrito. Sobre a escolha da entidade responsável pela seleção, ele afirmou que a decisão não partiu da Secretaria de Habitação, mas do Poder Executivo municipal. Segundo o parlamentar, "a Habitat Social seria, à época, a única entidade do município devidamente habilitada junto a órgãos federais e estaduais para atuar em projetos habitacionais."

Questionado sobre sua relação com a organização, Nixon confirmou que foi um dos fundadores da entidade em 2014 e seu primeiro presidente. Ele destacou que "a instituição contribuiu para a implementação de projetos habitacionais no município e afirmou que atualmente a presidência está sob responsabilidade de uma profissional sem vínculo familiar com ele."

Em relação às alegações sobre restrições ao uso de celulares durante reuniões, o vereador negou a existência de qualquer proibição. Segundo ele, "os encontros sempre foram abertos e os participantes utilizavam livremente seus aparelhos, inclusive registrando e compartilhando imagens nas redes sociais."

As investigações seguem em andamento, e até o momento não há conclusão definitiva sobre eventuais responsabilidades. O espaço permanece aberto para manifestações de outros envolvidos citados nas apurações.