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A Arquidiocese de Brasília declarou, no início de julho, a excomunhão do padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa e da comunidade da Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF). A medida punitiva foi motivada pela adesão formal do clérigo à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), organização tradicionalista que mantém um histórico de tensões doutrinárias com a Santa Sé.
O decreto, assinado pelo cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo metropolitano de Brasília, fundamenta que o sacerdote incorreu em ato de cisma. A decisão ocorreu após Françoá comunicar privadamente ao bispo de Anápolis sua vinculação à FSSPX em abril de 2025.
Com a sanção, todas as atividades religiosas conduzidas na Capela Santo Atanásio, como missas, confissões e matrimônios, são agora consideradas irregulares. Segundo a Igreja, tais atos carecem de comunhão com o Papa e com a autoridade diocesana local.
Risco de cisma para os fiéis
A nota oficial alerta os católicos para que evitem frequentar as celebrações do grupo. A orientação destaca que o apoio formal à fraternidade e a rejeição à autoridade do Pontífice podem levar os leigos à mesma penalidade de excomunhão aplicada ao clérigo.
A instituição reforça que a unidade católica exige a submissão aos pastores reconhecidos e a celebração dos mesmos sacramentos sob a égide de Roma. A ruptura prática com esses princípios configura o estado de cisma mencionado no documento.
Contexto e motivações do Vaticano
A punição também reflete desdobramentos internacionais, como as ordenações episcopais feitas pela FSSPX na Suíça, sem autorização papal. O Dicastério para a Doutrina da Fé, no Vaticano, reafirmou que tais atos consolidam a situação de ruptura da fraternidade.
Em sua defesa, o padre Françoá afirmou ter recebido a sentença com tranquilidade. Ele continua celebrando a Missa Tridentina, rito em latim anterior às reformas do Concílio Vaticano II, e mantém críticas severas ao que denomina de "ideias modernas" na Igreja.
Perfil do sacerdote
Natural de Redenção do Gurguéia (PI), Françoá Costa tem 47 anos e foi ordenado em 2004. Com passagens por paróquias em Goiás e na Bahia, o sacerdote ganhou destaque ao adotar posturas conservadoras e se aproximar do movimento fundado por Marcel Lefebvre.
A Arquidiocese de Brasília concluiu o comunicado reiterando o pedido de orações pela unidade da Igreja. A validade jurídica dos sacramentos administrados pelo padre, como batismos e casamentos, passa a ser contestada pela legislação canônica vigente.
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