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Em 12 de fevereiro do ano passado, a auxiliar de produção Jhennipher Sabriny de Oliveira, de 33 anos, precisou saltar de uma janela em Contagem (MG) para sobreviver a uma tentativa de feminicídio. A decisão extrema, tomada sob ameaça de morte, deixou sequelas profundas que a acompanham até hoje, enquanto o agressor permanece foragido da Justiça.
A queda de aproximadamente sete metros ocorreu após Jhennipher ser acuada pelo então companheiro, Pablo Henrique de Oliveira Rodrigues. Segundo o relato da vítima, o salto foi a única alternativa vislumbrada para preservar sua vida diante da violência iminente de seu agressor.
O impacto resultou em fraturas múltiplas nos braços, pernas, punhos e bacia. Embora Pablo tenha sido condenado em junho deste ano, ele conseguiu fugir antes do cumprimento da pena, o que intensifica o estado de alerta constante da sobrevivente.
“Eu não pulei porque quis. Pulei porque achei que era a única chance de continuar viva”, desabafou Jhennipher à reportagem, que hoje tenta reconstruir sua trajetória em meio a limitações físicas severas.
Impactos físicos e psicológicos persistentes
Atualmente, a rotina de Jhennipher é marcada por um longo processo de reabilitação. As marcas da agressão não são apenas cicatrizes, mas impedimentos reais que alteraram sua capacidade de locomoção e sua saúde mental de forma drástica.
A recuperação exigiu meses de fisioterapia e acompanhamento médico contínuo. Ela relata que, apesar de ter voltado a caminhar, dores crônicas impedem longos trajetos e novas intervenções cirúrgicas na bacia ainda são necessárias para garantir qualidade de vida.
Além do tratamento físico, a vítima faz uso diário de medicação para depressão. A sensação de insegurança é onipresente, impedindo-a de realizar tarefas simples, como ir sozinha a um estabelecimento comercial próximo de sua residência.
Devido ao fato de o agressor estar foragido, Jhennipher vive em um isolamento preventivo. Ela trabalha remotamente e só sai de casa sob escolta de amigos ou utilizando serviços de transporte por aplicativo, temendo um novo encontro com Pablo.
Direito como ferramenta de proteção
Buscando transformar sua dor em propósito, Jhennipher ingressou no curso de Direito. Atualmente no segundo semestre, ela planeja atuar na advocacia especializada na defesa de mulheres vítimas de violência doméstica.
Para ela, sua vivência pessoal permitirá um acolhimento que vai além da técnica jurídica. Ela deseja utilizar seu conhecimento para garantir que outras mulheres não enfrentem o mesmo desamparo e sofrimento que marcaram sua história.
Dinâmica do crime e cárcere privado no hospital
O episódio de violência foi desencadeado por uma disputa financeira. Pablo teria exigido R$ 10 mil da empresa do casal para fins pessoais. Diante da negativa de Jhennipher, ele a trancou em um quarto e passou a ameaçá-la com uma faca.
Após o salto e a queda grave, o homem tentou ludibriar vizinhos que se aproximaram para prestar socorro, alegando que a esposa estava em surto. Ele a levou ao hospital, onde manteve um regime de vigilância e ameaças por 12 dias.
A denúncia só foi possível quando Jhennipher conseguiu usar o celular escondida, com o apoio de uma enfermeira. O contato com uma advogada permitiu o registro do boletim de ocorrência e a obtenção de uma medida protetiva urgente.
Condenação judicial e recursos da defesa
O Tribunal do Júri condenou Pablo a oito anos e dez meses de reclusão por tentativa de feminicídio e ameaça. Contudo, a saída do réu antes da leitura da sentença permitiu sua fuga, gerando indignação na vítima e em seus familiares.
A defesa de Pablo alega que o julgamento foi influenciado pela exposição midiática e busca a anulação da sessão. A advogada Isabela Brum argumenta que a imparcialidade dos jurados foi comprometida e aguarda análise de recurso pelo Tribunal de Justiça.
Enquanto a defesa do condenado afirma não saber seu paradeiro atual, os advogados de Jhennipher também recorreram da decisão judicial, solicitando o aumento da pena aplicada ao agressor para refletir a gravidade dos fatos.
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