Os juros das famílias no Brasil continuam em patamares elevados e registraram a taxa média de 64% ao ano em junho, segundo dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Banco Central (BC). O avanço reflete principalmente o encarecimento das linhas de crédito pessoal não consignado.

Em relação a maio, a taxa do crédito livre para pessoas físicas subiu 1,2 ponto percentual (p.p.), acumulando alta de 4,6 p.p. em 12 meses. O grande vilão foi o crédito pessoal não consignado, que teve um salto de 7 p.p. no período. Para todas as modalidades de concessão, a taxa média atingiu 33,4% ao ano, enquanto o spread bancário permaneceu estável em 21,9 p.p.

A inadimplência geral do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 4,7% em junho, registrando estabilidade mensal, mas com alta de 1 p.p. na comparação anual. No segmento de famílias, o calote permaneceu fixo em 5,6%, embora acumule elevação de 1,2 p.p. em 12 meses. Já no crédito livre das pessoas físicas, a taxa de inadimplência estabilizou em 7,6%.

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Os dados do BC apontam ainda que o endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,8% em maio, apresentando ligeira redução de 0,1 p.p. no mês. Por outro lado, o comprometimento da renda para o pagamento de dívidas subiu para 28,5%, uma alta mensal de 0,1 p.p. e avanço de 1,3 p.p. no acumulado de um ano.

Crédito às famílias

O saldo total do crédito no SFN chegou a R$ 7,4 trilhões em junho, com alta de 0,7% no mês e crescimento anual de 9,7%. Desse montante, o saldo de crédito destinado especificamente às famílias somou R$ 4,6 trilhões, avançando 0,2% no período e 10,8% em 12 meses.

No segmento livre para pessoas físicas, o saldo encerrou o mês em R$ 2,5 trilhões. Apesar da expansão de 11,2% em 12 meses, houve leve recuo de 0,1% frente a maio. A autoridade monetária atribuiu essa queda às retrações nas carteiras de aquisição de veículos e de crédito pessoal sem garantias reais.

Com ajuste sazonal, as concessões totais de crédito cresceram 0,4% no mês, impulsionadas pelo segmento corporativo, que subiu 1,4%. Em contrapartida, as concessões para as pessoas físicas registraram retração de 0,2% no mesmo período.

Crédito ampliado

O crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$ 21,7 trilhões em junho, representando 164,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O crescimento mensal de 0,9% foi puxado por títulos públicos (0,7%), empréstimos no SFN (0,6%) e empréstimos externos (2,3%), que sofreram impacto direto da depreciação cambial de 2,37%.

Na comparação com junho do ano anterior, o crédito ampliado avançou 11,9%, impulsionado por títulos públicos (15%), títulos privados (16%) e empréstimos do SFN (9,4%). Para as empresas, o saldo chegou a R$ 7,2 trilhões (54,7% do PIB), registrando alta anual de 8,2% impulsionada por títulos de dívida e empréstimos bancários.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil