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Nesta segunda-feira (20), o presidente Lula (PT) confrontou publicamente o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, um expoente da proposta de "tarifaço" contra o Brasil, durante a convenção nacional do PDT em Brasília. O evento marcou não apenas a resposta de Lula às acusações de má-fé da gestão petista nas negociações contra a taxação, feitas por Rubio, mas também a formalização do apoio do PDT à reeleição do atual presidente, visando fortalecer a democracia e combater a extrema direita.
A declaração do presidente ocorreu em um palco onde a defesa da soberania nacional e o combate à extrema direita, tanto no Brasil quanto globalmente, foram temas recorrentes. O encontro consolidou o posicionamento do PDT em relação à corrida presidencial deste ano.
Em um tom desafiador, Lula sentenciou: “Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar o meu adversário, que monte um comitê e venha, porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia desse país”.
O presidente também expressou a expectativa de união política: “Mais uma vez espero que a gente esteja junto na construção da nossa proposta política. Se depender de mim, vamos ganhar as eleições no primeiro turno.”
PDT oficializa apoio à reeleição de Lula
O evento, que contou com a presença de membros do PDT e figuras do PT, representou o primeiro compromisso de campanha de Lula e serviu como palco para o anúncio de pré-candidaturas pedetistas a diversos cargos. Edinho Silva, presidente do PT, enfatizou a importância de “superar divergências” para enfrentar a extrema direita.
“Temos que buscar muito mais aquilo que nos une do que nossas divergências”, declarou Silva, ressaltando que “não tem eleição mais importante que essa, porque a vitória de Lula significa sinalizarmos para América Latina que é possível vencer a ultradireita”.
É relevante notar que, nos dois pleitos presidenciais anteriores, o PDT havia lançado Ciro Gomes, atualmente filiado ao PSDB. O deputado André Figueiredo (CE), líder do partido na Câmara, refutou veementemente as alegações de que a sigla teria “morrido” após a saída de Ciro, afirmando: “Morreu nada. Voltamos a ser quem éramos”.
Investigações do INSS marcaram relação entre governo e PDT
A relação entre o governo e o PDT foi marcada por episódios delicados, como as investigações da Polícia Federal sobre desvios em benefícios do INSS, que atingiram a base aliada de Lula. Carlos Lupi, à época ministro da Previdência, foi afastado de suas funções em decorrência de indícios de omissão diante das irregularidades reveladas.
Essa situação configurou uma das maiores crises enfrentadas pelo terceiro mandato de Lula, levando, inclusive, a uma reestruturação no comando do INSS. Após sua saída do governo, Lupi reassumiu a presidência do PDT.
Adicionalmente, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que busca a reeleição, foi implicado como suposto sócio oculto e beneficiário final de uma organização criminosa liderada por Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Em seu discurso nesta segunda-feira, Rocha esclareceu que “quando o PDT toma decisão política e estratégica de apoiar a reeleição de Lula, não é posição de abrir mão de seus projetos e da construção de ser protagonista de uma bandeira para o Brasil. Isso nós teremos em um momento, e sonharemos em ver o PT apoiando esse projeto”.
Tanto no jingle quanto nas falas proferidas na segunda-feira, os representantes do PDT alinharam-se a pautas do governo Lula, defendendo o fim da escala 6×1, a soberania nacional e posicionamentos contrários a Donald Trump e à extrema direita. Críticas aos “penduricalhos do Judiciário” também foram proferidas.
Os ministros Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Wolney Queiroz (Previdência), ambos filiados ao PDT, compareceram ao evento somente após as 18h, respeitando o horário permitido para a participação de ocupantes de cargos públicos em atividades partidárias.
Celso Sabino, ex-ministro de Lula e agora pré-candidato ao Senado pelo Pará, também marcou presença. Ele, que era filiado ao União Brasil, foi desligado do governo em 2025 após o rompimento de Lula com a sigla, motivado por desentendimentos com o presidente partidário, Antônio Rueda.
Conforme noticiado pela Folha, o governo intensificou a fiscalização das regras do defeso eleitoral para ministros neste ano. As lideranças do PDT presentes fizeram questão de salientar a conformidade, mencionando a chegada dos ministros apenas após o horário estipulado.
Convenção também anuncia pré-candidatos do PDT
Os anúncios dos pré-candidatos do PDT ocorreram durante a convenção partidária desta segunda-feira, em Brasília, evento liderado por Carlos Lupi e que contou com a presença do presidente Lula.
É crucial que as candidaturas estaduais sejam formalizadas até 5 de agosto. Na ausência de consenso, a decisão final recairá sobre as siglas, conforme seus estatutos, podendo ser definida em convenção ou pelo diretório nacional.
Até o momento, algumas candidaturas já estavam definidas: Juliana Brizola para o governo do Rio Grande do Sul, com o apoio do PT, e Alexandre Kalil para governador de Minas Gerais. As demais disputas estaduais serão finalizadas nas convenções locais.
Veja os pré-candidatos anunciados pelo PDT
- Weverton Rocha – Maranhão (reeleição)
- Leila do Vôlei – Distrito Federal (reeleição)
- Acir Gurgacz – Rondônia
- Marília Arraes – Pernambuco
- Celso Sabino – Pará
- Edvaldo Nogueira – Sergipe
Câmara:
- Roberto Requião – Paraná
- Felix Mendonça – Bahia
- Martha Rocha – Rio de Janeiro
- André Figueiredo – Ceará
- Dorinaldo Malafaia – Amapá
Governo estadual:
- Juliana Brizola – Rio Grande do Sul
- Requião Filho – Paraná
Assembleias Legislativas:
- Mário Heringer – Minas Gerais (reeleição)
- André Figueiredo – Ceará (reeleição)
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